O armário dos sonhos

US-JUSTICE-GAY-MARRIAGE

Hoje havia um texto programado na minha mente, programado para o primeiro fim-de-semana em muito tempo no qual eu poderia fazer outras coisas que não trabalhar. Então, algo terrível aconteceu. O texto programado vai ser o mesmo, mas vai surgir de um armário mais profundo e muito mais emotivo. Desculpem, mas são as consequências de quando o amor perde.

Esse ano, depois de muitos dedicado ao universo da pesquisa acadêmica, voltei às salas de aula. Porém, não as universitárias, e sim ao combalido ensino médio público do Estado de São Paulo. Apesar disso, não posso reclamar, pois não apenas estou empregado como a escola em que concursei é muito melhor que a média das unidades de ensino do Estado, e nela tenho muito mais autonomia por parte da diretoria para propor conteúdos e realizar atividades.

Na minha convivência com os meus novos alunos, percebi ali uma presença grande de jovens homossexuais, muito maior que na minha época de escola com certeza. Ou não, pois é possível que o que me chame atenção agora sejam os jovens que se assumem em público, que trocam afetos sem medo dos olhares cheios de reprovação. Não, não deixou de existir bullying, mas me parece ter surgido em meio à juventude uma liberdade maior para se assumir em público e para experimentar. Vejo com bons olhos, pois é justamente esse o período da descoberta, da experiência, quando os traços do caráter e da personalidade estão se formando. Nesse momento, é fundamental que haja uma ação educacional no sentido de que essa formação gere jovens com condições plenas de viver em uma sociedade que, dadas as próprias experiências que mencionei, cada vez mais traz em seu centro a questão da diferença como fundamental. Saber-se diferente, ademais, não parece mais ser motivo exclusivamente de culpa, mas motor de luta – e, sem dúvidas, devemos às feministas, movimento negro e LGBT essa nova configuração.

O ambiente escolar é o mais adequado para debates do tipo pois é um ambiente de conflito e desconstrução, e qualquer bom educador que se preze sabe disso. É óbvio que a educação familiar é fundamental, pois a família ainda é o núcleo agregador fundamental da sociedade, mas a educação familiar é uma construção para a conformidade: adéqua-se o familiar desde cedo a um modelo que é centrado em filosofias unívocas e estabelecido a partir de laços que predatam o próprio ser. O traço religioso, por exemplo, é elo fundamental a todas as famílias tradicionais e todos os sistemas familiares tradicionais, e é óbvio que em maior ou menor grau o núcleo familiar se organizará sob a estrutura de um sistema filosófico religioso específico. Porém, é bom que se saliente, toda e qualquer estrutura familiar possuirá um núcleo fundamental filosófico duro, seja religiosa ou não, pois a educação familiar é acima de tudo restritiva – dizer o que se deve ou não fazer, desde os primeiros anos.

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Comentários no site de notícias G1 à notícia do massacre em Orlando. Montagem: Sociologia na Sala de Aula

Essa orientação familiar na educação se contrapõe diretamente ao papel da escola se esta se coloca além de um papel de fornecedora de conhecimentos comuns e científicos de uma civilização moderna. Se a família é o local da conformidade, a escola se construiu como o ambiente onde se pode exercitar a inconformidade, ou seja, o estímulo à contrariedade, à crítica. Ou é desonesto ou pouco informado aquele que pensa a educação de qualquer disciplina fora dessa ótica, pois a ciência, seja ela qual for, deve ser algo que vise descobrir, não encobrir. A educação escolar revela o mundo que existe além da família, e nisso seu papel tem de ser essencialmente crítico, desde o início da formação do estudante. Educação que não se confronta com a normatividade de qualquer instituição – incluindo a própria escola enquanto instituição – não é educação em si, mas treinamento. E sim, o treinamento tem lugar em nossa sociedade, mas não é um substitutivo para a educação real. Aqui reside o primeiro ponto deste texto.

Além disso, o que se ensina não é, como alguns parecem crer, uma mera gama de conhecimentos e habilidades que todos os seres humanos devem possui para viver em civilização. Isso, de fato, faz parte da educação, mas diante de uma pluralidade de movimentos e compreensões do próprio conceito de civilização, o que chamamos e supervalorizamos sob o nome de civilização é um modelo dos vários possíveis, nem de longe o melhor, senão não o discutiríamos tanto quanto fazemos desde que existimos. Então, diante da mobilidade de uma sociedade em constante transformação, o que seria uma educação focada exclusivamente na transmissão de conteúdos e técnicas senão um paliativo instrumental para a formação de um modelo ilusório de cidadão? De fato, o nosso conceito de educação passa muito mais por uma ideia de performance que de ensino de fato, pois criamos uma coreografia básica divida em atos (disciplinas escolares) com as quais cremos ser possível abarcar um conhecimento mínimo de mundo para qualquer cidadão do globo. E um menino rico que estude numa escola particular do Mato Grosso terá mais chances de morrer de fome na selva que um índio analfabeto – em nossa lusa língua.

O que quero dizer com isso, e esse é o segundo ponto deste texto, é que a educação quando vista como mera transmissão de conceitos e habilidades não passa de um simulacro: um formato pré-estabelecido de conhecimento baseado em um modelo ilusório de pessoa. Ela ignorará todas as particularidades do ser social, do ser imaginativo, do ser criativo, e as segregará às disciplinas tidas como responsáveis por isso, as “artes”, que teriam o indigno dever de lidarem com tudo aquilo que não é formulável enquanto conhecimento. Daí se constrói a nossa combalida educação, sob a ilusão de que é possível um ensino em que as tecnologias mudem todos os dias e os livros didáticos sejam sempre os mesmos.

Assim, ao lado de um modelo de educação que não educa como deveria, construiu-se uma imagem do que seria a escola que não condiz com a realidade nem com a idealidade. O que a maioria das pessoas pensa ser a escola não o é, muito menos se aproxima do que ela deveria ser. Em palavras simples, os educadores que criticam o sistema educacional têm se confrontado não apenas com um modelo inadequado ideologicamente, mas acima de tudo com uma ilusão de que a escola é um espaço onde se aprende as quatro operações, a escrever, a função dos motores, o porque de os ácidos corroerem as coisas e quem foi Tiradentes. De certo modo isso é transmitido, mas isso não é aprendizado. Aprendizado é saber encontrar uma saída matemática para um problema, a entender as nuances de um texto lido, criar modelos mais econômicos e seguros para o funcionamento de máquinas, entender como o uso de certos produtos químicos está destruindo nosso mundo e que o Brasil ainda não se livrou totalmente das marcas da colonização. Ou seja, não é absorver tal qual uma esponja o conhecimento de livros e mestres, mas aprender com mestres e livros a ter senso crítico. A escola deve ensinar não apenas como obter respostas, mas como perguntar.

De certo modo, aí reside a operação perigosa que faz da escola um ambiente de conflito, pois é o espaço do questionamento. Questiona-se, ali, os fundamentos do pensamento, da sociedade e da própria educação. Questiona-se o poder e, claro, quem o detém não quer que se questione seu inalienável direito a ser poderoso. Ademais, é nas academias universitárias que surgem as mentes que desestabilizam o status quo, propondo caminhos diversos aos atuais, a incessante busca por novos modelos e compreensões da realidade. A escola é um núcleo que possui em si a potencialidade revolucionária, e é poeticamente estruturada como tal. Não há senhor de terra, arma, fé ou dinheiro que não tema um lugar que permita às pessoas questionar a legitimidade de seu poder. E, nisso, a escola virou alvo daqueles que acham que nós professores fomos longe demais. Surge a espúria ideia de uma escola sem ideologias.

Escola Livre
Fonte: Movimento Liberdade para Ensinar

É espúria, antes de tudo, pois como venho apresentando até aqui, a tal “escola sem partido” é um modelo fundamentado ideologicamente: é o espaço de treinamento, no qual uma educação acrítica se conforma aos modelos pré-estabelecidos e não permite ao educando que se forme o senso crítico. E vamos ser ainda mais diretos: a ideia estúpida de que existem sempre dois lados da questão é simplesmente a morte de qualquer projeto educacional. Quando se supõe que é possível expor sempre outro lado, pressupõe-se que há equilíbrio entre visões de mundo legitimadas por anos de pesquisa e estudo e meros achismos. Tempos atrás viralizou na internet um vídeo no qual um homem tentava demonstrar que era evidente que a Terra seria plana, pois ao se posicionar uma régua na linha do horizonte seria perceptível que ela não se curvava. O que se espera com um projeto que permita que sejam expostos na escola “todos os lados” de uma questão é que se coloque lado a lado uma pessoa com uma régua a medir o horizonte e séculos de estudos de milhares de mentes (se isso parece lógico para você, pode parar de ler o texto por aqui).

Para algumas pessoas pode soar ilógico e desonesto de minha parte  propor que o projeto “Escola sem partido” seja tornar a escola palco de estudos empíricos sobre a forma da terra usando o olhar e a régua. De fato, mas não é igualmente desonesto que se proponha colocar lado a lado os fundamentos teóricos de autores como Marx, Durkheim e Weber e os achismos e teorias vazias de um Olavo de Carvalho? Por melhor que esse senhor possa ser na leitura de diversas obras, por mais erudito que venha a se mostrar e por mais que ganhe asseclas, ele representa o completo vazio intelectual e é talvez o mais sério sintoma de uma sociedade sem qualquer projeto de educação cidadã real. Não é como se não possuíssemos teóricos alinhados a outras vertentes ideológicas com condições de serem colocados no mesmo patamar de grandes pensadores nacionais – podemos ler Cândido e Carpeaux, Bosi e Merquior, sem grandes crises. Mas o projeto em curso não tem qualquer objetivo didático, apenas quer destituir a escola de senso crítico, afastando fantasmas que ameaçam os grupos que mandam no poder atualmente.

Olavo

Olavo de Carvalho, “ensinando” que a civilização ocidental é superior a todas as outras. Fonte: facebook.

O Brasil assistiu, assustado, a um caso de estupro coletivo de uma jovem menor de idade. A sociedade que está sendo educada pelo bom senso soube condenar os criminosos; a sociedade educada com senso crítico entendeu que o caso faz parte de uma lógica intrínseca a uma cultura machista e misógina que legitima o estupro, algo que se encontra no seio da educação masculina; uma sociedade construída a partir das filosofias que fundamentam o “Escola sem partido” vê a jovem como culpada – e não por acaso, seu porta voz é alguém capaz de fazer piada com estupro. Além disso, há de se salientar, a defesa do estupro é a defesa do poder masculino que está no cerne de um modelo de religião estritamente machista – aquele no qual a mulher serve pois é espelho de Maria, aquela que “aceitou” ser mãe do filho de Deus. Conveniente, mas não o único modelo de encarar o papel da mãe de Jesus, bem como toda a religião – motivo pelo qual reducionismos como “evangélicos” não se aplicam a essa parcela da população. Se o deputado e pastor Marco Feliciano pode vir a público, sob aclamação de setores da sociedade, vir falar em mulheres de respeito e as que não o têm, se o deputado do mesmo partido Jair Bolsonaro pode falar em mulheres que merecem ou não ser estupradas, há que se considerar que há uma articulação no sentido de punir as mulheres pelo crime dos estupradores que vai além da religião apenas. E são os defensores dessa visão de mundo que estão movendo seus esforços no sentido de eliminar Simone de Beauvoir, por exemplo, da educação escolar. Não é talvez do conhecimento geral da população, mas o papel da escola não é apenas apresentar a filósofa e seu marido, e sim debatê-la. Debatê-la não é um jogo de apresentar prós e contras, como alguns acham, talvez educados por aquele pseudofilósofo brasileiro que vive nos EUA caçando ursos, e que insiste em transformar toda a filosofia em um mero jogo de refutações vazio. Uma   juventude que entende quem é a mulher por trás da frase “não se nasce mulher, torna-se” é capaz de se defender não apenas do estupro, mas de impedir que ele se normatize como comportamento aceitável, e que seja tido como atitude de justiçamento contra uma pessoa que, ademais de ser atirada num contexto de vítima, é posta no centro da questão como uma agente criminosa de seu próprio crime. Mais que isso, é capaz de questionar o porquê de termos uma representatividade feminina tão pequena na câmara dos deputados. É capaz de ameaçar felicianos e bolsonaros.

Em uma aula de substituição nessa mesma escola, ouvi de uma aluna a questão “professor, tem alguma escritora famosa? Por que nos só vemos homens escritores?” A oportunidade me fez apresentar a grandeza de Mary Shelley, visto que falávamos de romantismo, e depois incluir em outra aula Jane Austin e as Irmãs Bromte, para a alegria evidente nos olhares das meninas da turma. Muitas se admiravam “caramba, quem criou o Frankenstein foi uma mulher!” E, naquele dia, entendi que dar aulas nesse momento é mais que educar, é resistir. Por isso, as personagens centrais de minhas aulas introdutórias ao Modernismo na Europa não foram apenas Joyce e Proust, mas Virginia Woolf – ela quem “fez” Joyce  e Proust, e todos os grandes criadores de romances modernos. Por isso falei da homossexualidade de Rimbaud, da negritude de Lima Barreto. Por isso propus – e aguardo a aceitação da escola – um projeto inclusivo sobre Literatura e Diversidade, que debata o papel e a produção de mulheres, negros, LGBT e demais grupos historicamente oprimidos e excluídos e desses temas na literatura. Pelas minhas alunas, pelos meus alunos e alunas homossexuais, pelos meus alunos e alunas negros e negras, eu tenho que resistir.

Na iminência de leis que impunham mordaças a educadores, temos que gritar, posto que não doutrinamos quem quer que seja a serem o que são. Não inventamos as favelas para que eles acreditem na desigualdade, não inventamos seus desejos, seus medos, seus sonhos. Se algo fazemos, o mínimo, é tirar esses sonhos do armário, é pegar na mão deles para que eles caminhem quando os pais não puderem fazer isso. Os jovens que ocupam escolas agora não o fazem porque seus professores comunistas falaram de Marx em sala de aula, mas porque a falta de comida no prato revolta. Não ensinamos quem tem fome a se revoltar, não precisamos fazer isso, foram vocês poderosos que se acostumaram com a passividade e agora não sabem o que fazer. Foram vocês que achavam que podiam continuar a beijar as minas na balada à força, a ofender o vizinho e seu namorado por eles darem as mãos, fazerem piadas com o cabelo do porteiro, ou com o sotaque do pedreiro. As pessoas não se revoltaram porque nós dissemos pra elas que é errado algo que sempre souberam. No máximo, ajudamos essas pessoas a perceberem que podiam mudar alguma coisa. Mas, claro, enquanto mudar o mundo era plantar uma árvore, o professor era o profissional a ser admirado.

Os projetos educacionais que visam higienizar a escola do suposto pensamento esquerdista nada mais são que uma forma de retirar da educação algo que lhe é intrínseca, se ela for efetiva: a capacidade de criar perigo. A educação “sem ideologia” é a do treinamento, útil a uma sociedade que quer manter a divisão entre trabalhadores braçais e patrões, entre pais provedores e donas de casa subservientes. O treinamento leva a uma padronização, a uma eficiência técnica que é a da reprodução mecânica e funcional. E, claro, o que se precisa são de trabalhadores que não questionem, que não exijam direitos, que não problematizem – e por isso essa palavra também é grande vilã de nosso tempo. Antes de estarmos acomodados em nossos fins-de-semana com Netflix e pipoca, trabalhava-se até a exaustão desde criança – quem “inventou” férias e descansos semanais foram os anarquistas, vejam só! O dono do poder sabe o que o ameaça, sabe o perigo por trás da educação, e reage com seu poder – o poder sobre o estado.

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Jovem na boate em Orlando envia mensagem para a mãe, dizendo que iria morrer. Fonte: G1.

E, no auge disso tudo, alguém entrou atirando em uma boate LGBT em Orlando, na Flórida, e matou cinquenta pessoas. A pessoa que levanta a voz para falar de “orgulho hétero” ou “cristofobia” talvez nunca tenha estado numa situação de perigo de morte e, se esteve, foi apenas por ação de um bandido. Quem é mulher sente-se ameaçada por bandidos e por estupradores; quem é negro sente-se ameaçado por bandidos e pela polícia; quem é LGBT sente-se ameaçado por bandidos, pela polícia e por agressores homofóbicos. Quem tem mais motivo para ter medo? Excetuando em países onde ocorrem atentados diários contra diversos grupos religiosos e étnicos, quando vimos o último caso em que cinquenta cristãos foram assassinados apenas por serem cristãos? E cinquenta heterossexuais?

Se você é homem, faça um exercício: veja como quando você senta no no ônibus poucas vezes uma mulher senta ao seu lado; veja como quando você está andando na rua atrás de uma mulher muitas delas ficam tensas, aceleram o passo e ficam constantemente olhando pra trás. Note que você sempre se mantém mais assustado, à noite, por cruzar caminho com um negro que com um branco. Note que toda vez que você percebe que aquela mulher é na verdade uma transexual você e todos à sua volta ficam olhando para ela como se fosse um bicho exótico. Perceba a diferença e pratique a empatia, se coloque no lugar dessas pessoas. Dá pra entender a revolta, o medo, a frustração? Dá pra entender porque essas pessoas se mobilizam?

As pessoas que mandam no poder querem apenas mais poder. Os cidadãos que apoiam a deseducação, pelo contrário, não sabem que falar da escrita de Virgínia Woolf evita estupros, que falar da homossexualidade de Mário de Andrade impede que homossexuais sejam mortos. Assim como não é o Islã quem matou aquelas pessoas em Orlando, não é com mais armas e mortes que evitaremos isso de acontecer de novo. Não é uma questão de ideologia, de agenda política, de partidarismo, é algo simples e direto: a educação salva vidas, salva pessoas. Lutar e resistir contra projetos de destruição da criticidade de educadores em sala de aula não é defender lado, é lutar para que o que faz da educação ainda algo importante para a sociedade não morra – e que com ela não morram mais e mais jovens em festas, nas periferias, nas tribos, no mundo.

Mencionei em sala uma famosa frase de Virginia Woolf: “Tranque as suas bibliotecas, se quiser; mas não há nenhuma porta, nenhum cadeado, nenhum ferrolho que você pode colocar sobre a liberdade da minha mente”. Pouco depois, em meu facebook, uma aluna postava a frase em sua timeline. Não foi a única frase que mencionei, pois passei nas minhas aulas poemas de Baudelaire, Rimbaud, Malarmé, falei de Proust, Joyce, li trechos de Monteiro Lobato, Lima Barreto, Euclides da Cunha e Augusto dos Anjos. Mas, de tudo que li para eles, ela escolheu apenas essa frase.

Isso não é doutrinação. É revolução.

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