Melhores Álbuns de 2012 Parte 3 – Mato, Galícia e Motown

Continuando a minha lista infinita (iniciada aqui e continuada aqui), vamos para os últimos registros antes do TOP 5 do ano de 2012. Espero botar o Top 5 online semana que vem, de uma vez, pra voltar a fazer postagens sobre outros assuntos (ou não… hehehe).
E o que temos pra hoje? Hoje… o dia é de Folk, bebê!

10. Soulsavers – The light the dead see
País: Inglaterra
Estilo: Rock Alternativo/Eletrônico
Nota: 9,5




9. Tom McRae – From The Lowlands

País: Inglaterra
Estilo: Folk

Pra quem conhece a carreira desse guitarrista e cantor inglês – e se não conhece, vá atrás CARALHO – não soa tão estranho ouvir algo tão minimalista e, principalmente, tão acústico quanto esse seu álbum. Tom McRae é excepcional guitarrista, mas nunca foi um  cara virtuoso ou dado a solos elaborados. Ele investiu sempre em melodias e baladas, carregadas na sua frágil mas consistente performance vocal e muitas delas eram já acústicas. E o maior destaque aqui é mesmo a sua voz, ainda mais sublime. Mas se dá pra ser mais caipira que um álbum folk, quase só com voz, violão, o Tom McRae conseguiu. Gravado numa fazenda (nas tais lowlands inglesas) dentro de um tipo de celeiro (uma das músicas, inclusive, é ao ar livre, e dá até pra ouvir o som de lenhadores trabalhando!), o disco tem um clima de desolação e melancolia que poucos trabalhos hoje em dia conseguiram sequer atingir. Não há músicas animadas, nem mesmo a versão de Sloop John B – famosa na voz dos Beach Boys – soa alegre aqui. Mas nem por isso é um disco tão triste, dada a beleza das peças apresentadas pelo músico inglês. E não dá pra destacar uma única canção: todo o disco é lindíssimo. Mesmo Alphabet of Hurricanes (homônima de outro disco dele), que possui uma orquestra, e não é tão contida e minimalista quanto as outras músicas, é belíssima em sua composição. Eu nem sei muito mais o que escrever… só não me alegra mais acompanhar a carreira brilhante e em constante evolução do Tom McRae porque parece que sempre que falo nele ele é uma completa novidade pra todo mundo. Não sei como um cara que une tão bem conteúdo e melodia, que tem uma sensibilidade tão apurada e uma produção tão vasta, não tem a devida atenção. Eu, do meu lado, vou permanecer fã do excêntrico caipira de Chelmsford.
Se você gosta de Neil Young, Bob Dillan, Nick Drake ou simplesmente de coisa diferente, ouça o grande Tom!

Nota: Por um disco minimalista e impecável, 10 apolos!

País: Estados Unidos

Estilo: Rock Progressivo/Psicodélico
Nota: 9,5

7. Michael Kiwanuka – Home Again

País: Inglaterra
Estilo: Folk/Soul/Jazz

Se tem uma época que eu tenho certeza que foi boa e que eu não vivi, infelizmente, foi a época soul e disco, especialmente o auge da Motown. É um período em que pessoas se vestiam bem, dançavam bem e curtiam de montão, ao som de funk, black e soul music. Agora pegue o som da Motown, junte com uma pitada de jazz e bote nas mãos do Tom McRae. Você terá Michael Kiwanuka.
Pra mim, esse garoto inglês filho de Ugandenses é a grande revelação de 2012. Dono de uma voz poderosa e peculiar, ele faz um tipo de som que só tem paralelos em gente dos anos 70 – tanto que toda sua estética é nitidamente inspirada nesse período. Ainda consigo o aproximar um pouco de algumas artistas mais atuais, como a maravilhosa Sharon Jones e a insossa Adele, mas pra mim ele parece o melhor dessa safra, de longe. O seu primeiro álbum é tão, mas tão redondinho, que nem dá pra dizer que é a sua estréia. E como ele oscila bem pelos estilos: temos o folk mais tradicional em Home Again e em I’m Getting Ready, um pouco mais de tristeza em Always Waiting (com seu belíssimo e sensível clipe sobre Alzheimer), e o jazz e o soul em Tell Me a Tale. Aliás, optei por não postar aqui o vídeo oficial de Tell Me a Tale, mas uma versão ao vivo, pra vocês conferirem a pegada do som do Kiwanuka. Depois ouçam as outras.
Sem dúvida, eu vou acompanhar ansioso a carreira desse grande cara. Quem sabe temos um novo (e mais folk) Stevie Wonder por aí?

(E como as músicas do tio Stevie, essa parece ótima pra tocar na vitrola pra um jantar a dois, né?)

Nota: Por fazer um álbum de folk de qualidade e ir além, adicionando características de música negra e jazz, 10 apolos!

6. Xoel Lopez – Atlantico

País: Espanha
Estilo: Rock/Música Espanhola/Folk/World Music

Essa terceira parte da listagem dos meus álbuns favoritos de 2012 é a mais calma, com certeza, mas nem por isso é a mais triste ou a menos dançante. Eu te desafio a ficar triste ouvindo Atlantico! Desde os primeiros acordes vai ser impossível não se contagiar com a profusão de ritmos que misturam flamenco, ritmos andinos e mais uma porrada de coisa. O Xoel é da Galícia (por isso o “X” no nome, em espanhol tradicional seria Joel) e traz consigo toda uma beleza multicultural que só podia vir de um latino ou de um bicho-grilo – e ele é os dois. 
E meu, que delícia é esse disco! Eu o descobri tarde, quase no fim do ano, mas me apaixonei a primeira audição. Não tem música ruim e, melhor ainda, não tem nenhuma letra ruim: o cara é um grande músico e um BAITA poeta. É só dar uma olhada na letra da belíssima Tierra:
“Sí, ya sé que el mundo seguirá girando
Cuando ya no quede nada
Y nosotros vaguemos por la historia
Como simples hombres solitarios
Reyes que perdieron todo,
Todo lo que tanto amaban por quererlo demasiado”

Isso é só um exemplo. Cada música é um poema mais lindo que o seguinte, sempre uma poesia singela e simples, mas nem por isso simplista. Às vezes vai parecer chapação de estudante de artes bicho-grilo, mas impossível não amar. É belo sem ser pedante, inteligente sem ser chato. É impossível não sair dançando, por exemplo, ao som dos ritmos tão contagiantes quanto os de Caballero, mesmo ela sendo uma música (aparentemente) séria. Hombre de Ninguna Parte, para dar outro exemplo, é ao mesmo tempo música pra apreciar e pra bater palmas (e dançar, por que não?). E como não se emocionar com o clima nostálgico de Por el viejo barrio? Pode agradar quem gosta de Chico Buarque e quem gosta de rock, pois é tão “erudito” quanto é popular. Eu diria que é o tipo de coisa que o povo da MPB vem tentando fazer há anos sem quase nenhum sucesso (a exceção seriam, sei lá, Filipe Catto e BNegão). Você pode achar diversos exemplos de bandinhas de fim de festa que tentaram se tornar a banda mais bela da cidade, e não chegaram aos pés do Xoel.
E de exemplo final, o poema/música mais bonito de lindo do disco (e com um igualmente foda solo de guitarra!):
“Vio un castillo hermoso
Al final de su camino
Y atravesó el bosque
Entre niebla y exasperación
Entonces se acercó a su puerta
Solo para ver qué pasa
Pero fue al entrar cuando se dio cuenta
Había llegado a casa”

Nota: Porque fica cada dia mais inexplicavelmente lindo. Sério, eu ainda acho que mais uma semana de audição de Atlantico e ele sobre pra 1ª posição dessa lista. 10 apolos.

E, ao fim dessa enorme listagem, teremos Gays, Gospel e o Apolo de Ouro!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s