Melhores Álbuns de 2012 Parte 2 – Funk, Peixe e Tendões

Peixe
Eu queria ser um cara regularzinho nas minhas postagens mas, infelizmente, não ganho nada com isso aqui e tenho outras coisas pra fazer da vida. De qualquer forma, se conseguir publicar uma parte da listagem por semana já estarei imensamente satisfeito.
Continuando a lista começada aqui, vamos para quatro novidades totalmente excelentes da lista. Dentre elas, a única entrada nacional.
14. BNegão & Os Seletores de Frequência – Sintoniza Lá

País: Brasil
Estilo: Funk-rap-rock’n’roll-psicodelia-hardcore-e-ragga


Bnegão é o melhor dos ex-integrantes do Planet Hemp, uma das melhores bandas de rock da história do Brasil. Isso porque ele manteve em sua carreira solo não apenas o seu estilo marcante de rimar bem como a bagunça eclética e extremamente agradável que tornava o som da finada banda carioca tão bom. Aliás, fica cada vez mais evidente que, por mais que D2 se destacasse (talvez até, penso eu, por ser o único branco dos vocais, em contraste com Black Alien e Bnegão), o melhor do Planet não era mesmo ele. A carreira do D2 (piada totalmente não intencional) é bem mais prolífica em número, mas em qualidade…
De qualquer forma, Sintoniza Lá não é tão bom quanto Enxugando Gelo, seu disco anterior, uma obra prima, mesmo que aqui BNegão e sua banda tenham construído um trabalho muito mais coeso, muito mais calcado no groove, no samba rock e no funk clássico que o anterior. Basicamente faltam mais músicas da qualidade de “Dança do Patinho”, “Nova Visão” e “Funk até o caroço”. Em compensação, temos as porradas “Eah!”, “Essa é pra tocar no baile”, “Subconsciente” (que me dá saudade do lado mais pesado do som do Bnegão) e “Panela de Pressão”, todas excelentes e tão boas quanto as do anterior. Mas as outras, mesmo sendo o melhor que o Brasil faz atualmente, não são tão boas quanto o resto do Enxugando Gelo, principalmente porque depois de umas seis músicas falando de “vamos dançar”, o álbum cansa um pouco. O que não depõe contra o trabalho do Senhor Bernardo, pelo contrário: ele faz a melhor música brasileira da atualidade pra mim. E pode botar toda essa porcaria pseudo intelectual no balaio, pode juntar Silvas, Malus, Camelos, Pethits, Caetanos e todo o resto que não dá meio Bnegão. A MPB só não morreu por causa de gente como ele e por causa dos velhos bons de guerra, como o Chico Buarque e o Tom Zé (o Caetano não é melhor nem que Michel Teló, desculpe). E depois de ter visto ele ao vivo, então, digo: no Brasil, quando o negócio é fazer a gente sacudir o esqueleto, não tem pra ninguém.
Pena que ele seja o único brasileiro capaz de entrar na minha listagem. Isso fala muito sobre meus gostos, claro, mas fala muito também sobre o que se produz aqui. Quase listei Filipe Catto, o único que me chama a atenção dos novatos (além do Criolo), mas infelizmente só ouvi o maravilhoso disco dele esse ano, sendo que o disco é de 2011… Enquanto tem mais de um disco da Suécia, país com menos habitantes que a cidade de São Paulo. Que vergonha, héin Brasil?


Nota: Por ser o único brasileiro fazendo música dançante e pensante que preste, 9 Apolos.


13. Threshold – March of Progress

País: Inglaterra
Estilo: Metal Progressivo


Sou fã de progressivo, de qualquer tipo, principalmente da sua vertente metálica. Sempre ouvi falar de duas bandas dentro do metal progressivo pras quais nunca dei a devida atenção: Fates Warning e Threshold. Mas esse ano eu dou o braço a torcer: com um minuto da primeira faixa, Ashes, eu já exclamei: “que disco FANTÁSTICO é esse March of Progress!”
Passando por mudanças diversas na carreira (eles tão por aí desde 88), o Threshold nesse álbum tem à frente seu vocalista original, Damian Wilson, e acho que uma das coisas que me afastava do Threshold era o vocal do McDermott (falecido prematuramente em 2011), mesmo sendo muitíssimo competente (gosto do Dead Reckoning, o último com ele). Isso e meu desconhecimento, meio que um preconceito mesmo.
Mas, sinceramente, esse disco é bom o suficiente pra conquistar até não-fãs do estilo, que não é pra todo mundo. Tem gente que não “aguenta” Dream Theater e Symphony X, apesar de eu adorá-los, pelos excessos técnicos e uma certa falta de feeling, de alma mesmo (que me faz não gostar tanto de outras bandas do mesmo estilo, como Vanden Plas). Já o que o Threshold faz aqui é realmente um passo adiante, mas sem deixar de lado o estilo clássico, as variações de tempos e o s refrões grudentos. E puxa, não tem como não sair cantando por aí refrões como os de “Ashes” e “Staring at the Sun”. (refrão fácil, pra quem possa reclamar, não é sinônimo de música ruim.. Beatles tão aí pra provar isso).
Enfim, se você nunca ouviu e pretende conhecer esse estilo tão bacana, March of Progress é um excelente disco pra começar. Deixo vocês com a minha favorita, “The Hours”:


Nota: Por manter o prog metal vivo e melhorá-lo, 9 apolos e meio.



12. Marillion – Sounds That Can’t Be Made

País: Inglaterra
Estilo: Rock progressivo


Pensei em várias maneiras de começar esse review, mas só achei uma: como é bom poder incluir um disco do Marillion nessa lista!

Vejam essa no tamanho ultra grande, porque merece.

Nunca fui fã da fase pós-Fish do Marillion. Acho o Steve Hoggarth um baita cantor, mas eles nunca fizeram nada que chegasse aos pés de ábuns como Fugazzi e Misplaced Childhood. Mas parece que a idade fez muito, muito bem pro Marillion. Sounds That Can’t Be Made é um DISCAÇO. Sério, se só tivesse a primeira faixa, o épico Gaza, já valia lugar em qualquer lista. E sim, Gaza fala exatamente do que você está pensando: é a visão da situação do país pelo olhar de uma criança palestina. Não me lembro da banda já ter sido tão politizada numa música, mas é bom poder ouvir esse discurso vindo deles. Isso porque qualquer ataque aos criminosos de Israel é pouco. Genocidas não merecem respeito.
Deixando a política de lado, Gaza é 17 minutos e 30 segundos de epicidade! Desde seu riff principal (aliás, extremamente pesado pra uma banda como o Marillion) até suas variações no meio do caminho, com movimentos de calmaria e revolta muito bem dosados. Tudo funciona tão bem com Gaza que é até pecado eles terem posto outras músicas no mesmo álbum… hehehehe
Mas, talvez para desgosto do Peixe, as músicas seguintes são muito fodas. Não tanto quanto Gaza, pois ela é épica demais, mas com certeza são faixas que mantém a qualidade do produto final.
A música título é LINDA. Tanto que a escolhi no lugar de Gaza como amostra do álbum. Hoggarth canta aqui com uma força, mesmo com sua voz frágil e até um pouco limitada (principalmente em relação a do grande Peixe), ele conquista qualquer um. Ela tem um toque de anos 80 bem claro, como todo o resto das músicas, mas sem perder a modernidade – uma modernidade que parecia que nunca ia chegar para o Marillion.

Peixe

E não tem como ser mais anos 80 que em Pour my Love, uma balada que só quem fez Kayleigh e Lavender  (até hoje a minha música favorita da banda) sabe como fazer. Como “Power” e as faixas seguintes, todas com aquela aura de anos 80, 90 e a modernidade do século XXI. E não tem muito o que falar sobre “The Sky Above The Rain”… difícil expressar além do que eu falei como esse álbum é lindo…
Acho que, mesmo tendo feito bons álbuns como Marbles, esse é o que me conquistou do período Hoggarth.



Nota
: Por Gaza e me fazer voltar a amar Marillion, 9 apolos e meio


11. Sinew – Pilots Of a New Sky

País: Alemanha
Estilo: Rock progressivo, com uma pitadinha de indie e rock alternativo

Essa é a mais novinha dessa listagem de hoje, mas ficou na frente de todo mundo com méritos. Nunca tinha ouvido falar de Sinew antes desse álbum e, como porta de entrada, ele é péssimo… isso se você considerar o que eles faziam antes de Pilots of a New Sky, um som ótimo mas completamente diferente do encontrado aqui. E se você viciar nesse disco deles como eu viciei, vai acabar ignorando o que eles fizeram antes. É sério, esse é daqueles álbuns que servem como um divisor de águas na carreira da banda, e a meu ver um divisor pro bem.
Você vai perceber que o que o Sinew faz às vezes é muito diferente do rock progressivo tradicional, se aproximando mais de bandas com uma pegada mais alternativa e até (pédepatomangalôtrêsvezes) indie.  Mas um indie bom, não a merda que as ditas bandas indie brasileiras fazem e só decerebrados metidos a DJ’s da MTV acham bom. Na verdade, a fonte deles pra mim é muito mais gente como Manic Street Preachers que os indie bunda de hoje. Sinew é moderno de verdade, e a música que mais vai deixar claro o que eu estou dizendo é Mercy on Apollo, a minha favorita. A sua utilização do eletrônico e sua pegada não lembram em nada o prog, mas ele tá lá, escondidinho, e muito bem trabalhado. E como não se apaixonar pela poderosa voz de Sascha Junker? O cara canta muito, mesmo que não tenha um estilo lá muito versátil.
Mas o disco não acaba aí não. One Glimpse B.C. tem um refrão que é outro grude na cabeça (e os riffs dos caras parecem melhorar com o passar do disco), The Skins I Wear é mais lentinha, mas linda de viver, como diria a finada Hebe, e um belo exemplo do que uma cozinha muito afinada pode fazer, mesmo numa música mais lenta e quase emo (!!). Arctica chega a parecer Coldplay no começo (só que melhor) e a música que dá nome ao álbum é um achado. E ainda tem a épica The Descend To The Heart Of Mount Sadhana, a mais progressiva do álbum, com seus muito bem utilizados 13 minutos de duração. Mas isso só pra citar algumas.
Enfim, se você quer rock alternativo de qualidade e ao mesmo tempo com identidade, os alemães do Sinew são a sua pedida!



Nota: Por fazer a mistura de rock progressivo com rock alternativo render uma coisa maravilhosa, 9 apolos e meio. E nunca procure Sinew no Google imagens se você tiver estômago fraco (ou for vegetariano), tá?


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A seguir, não perca: Mato, Galícia e Motown

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