Melhores Álbuns de 2012 Parte 1 – Kurt Russell, Esquizofrenia e Estilo

Como prometido nessa postagem, inicio aqui a minha listagem dos álbuns que considero os melhores de 2012. E, para tanto, vou repetir as diretrizes da escolha:
Eu aumentei, com os lançamentos do segundo semestre, a lista de dez pra vinte entradas, para poder privilegiar tudo de melhor que ouvi nesse período. Como disse nessa postagem anterior, independente de gostos pessoais, uma das minhas propostas com essa lista é fomentar o espírito de descoberta e compartilhamento que acho essencial quando o assunto é arte e entretenimento. Para os álbuns que eu já analisei, eu deixei apenas o link para a minha análise nas primeiras postagens do primeiro semestre, pois tenho preguiça de escrever tudo de novo (:p). A ordem, saliento mais uma vez, não é baseada apenas na nota que eu dei, mas no que eu mais ouvi e gostei de ouvir até o fim do ano. A nota é, no máximo que a minha leiguice em música permite, algo mais técnico. Por isso, eu sempre vou privilegiar aqueles discos que mais ouvi em 2012. E isso gerou uma lista lotada de surpresas (e de links externos pra vocês clicarem e curtirem mais ainda).

E o 20º lugar já vem quebrando tudo!
20. Jake Kaufman – Double Dragon Neon
País: EUA
Estilo: Anos 80 na veia
Eu pensei muito antes de me decidir em colocar essa trilha sonora na lista, mas dei meu braço a torcer. A trilha composta por Jake Kaufman para esse jogo esbanja criatividade.
O QUÊ? UM JOGO DE VIDEOGAME NA LISTA?
Jake Kaufman

Sim! Não qualquer um, mas um remake do clássico dos arcades Double Dragon que se você não conhece, deveria se matar marcou os anos 80. E isso inspirou os desenvolvedores a tal ponto que, na sua homenagem, os criadores desse remake aproveitaram pra zoar como tudo que torna os anos 80 tão legais e ao mesmo tempo tão cafonas: neon, histórias sem pé nem cabeça, vilões esdrúxulos (alguns parecem importados diretamente do filme clássico “Aventureiros do Bairro Proibido“), roupas e mais que tudo as músicas. A trilha original foi recriada com muita competência – apesar de me cansar um pouco ouvir alguns temas repetitivos – e as novas canções são tão chicletes quanto hits de Cindy Lauper e Journey – muitas inclusive são cantadas! Tudo é feito pra recriar a atmosfera oitentista, e há tempos não via uma trilha que encaixava com tanta perfeição com um jogo – ótimo, aliás.

O que mais surpreende, contudo, são as pequenas vinhetas musicais que concedem “poderes” ao personagem, que são reproduções de estilos de diversas bandas da época. Você vai ouvir trechos de 25 segundos apenas que o remeterão diretamente a coisas como Beastie Boys, Marvin Gaye, ABC, Cocteau Twins, Sisters of Mercy, Depeche Mode, Air Suply, Poison, Clash, Metallica, The Cure, George Michael, Bananarama, Afrika Bambaata, Public Enemy e muito mais. É de uma criatividade monstra, um dos mais perfeitos panoramas musicais dos anos 80 que eu já vi. Eu ouço essas vinhetas como se fossem músicas de verdade, sério. E elas no máximo tem uma estrofe e 25 segundos!
Mas a melhor de todas e, na minha opinião, a segunda melhor música que ouvi esse ano (a primeira é quase Ours Concours) e tem a letra mais inacreditavelmente engraçada dos últimos tempos. Confiram a sequência da derrota do terrível vilão Skullmageddon e chorem de rir com a sua canção sobre os males de ser um vilão de um jogo de pancadaria:

(Esse jogo é tão foda que esse karaokê tosco FAZ PARTE DA SEQUÊNCIA DE ENCERRAMENTO!)

Ah, antes que eu me esqueça: a trilha está disponível GRATUITAMENTE no site do jogo. Como explica abaixo a galera que fez o game:

“Double Dragon Neon features a classic game score by award winning composer and sound designer Jake Kaufman. The soundtrack is inspired by the original game as well as classic arcade games from the 80’s. Listen to a small sample of the awesomeness to the right and then download the entire soundtrack for free!”
Não tem como não amar esses caras. Entrem lá e baixem!
Nota: Por ser uma trilha sonora de um joguinho de porrada clássico que pode ser ouvida e apreciada mesmo sem jogar o dito cujo – e que melhora imensamente quando você conhece o game, 8 apolos e meio!

19. Blut aus Nord – 777 Cosmosophy
País: França
Estilo: Eu só consigo classificar como pura esquizofrenia
É preciso salientar que esse álbum é a terceira parte de uma trilogia que começa com 777 Sect(s) e 777 The Desantification, ambos de 2011. Esse foi o mergulho da banda francesa de black metal em um ambiente de cacofonia, dubstep, industrial e muita, muita loucura. Como só conheci a banda no começo de 2012, os seus discos anteriores não entraram na outra lista, mas com certeza estariam entre os dez. Já Cosmosophy não, apesar de estupendo, ainda não o ouço com a mesma gana que ouço os outros dois. Eu acho o segundo disco da trilogia ainda o melhor, mas é inegável que o trampo dos caras de Mondeville é acima da média.
Eu poderia falar de todos os 500 estilos diferentes de se fazer barulho que aparecem em Cosmosophy, mas nada falaria melhor ao ouvinte que comparar duas faixas tão distintas quanto Epitome XV e XIV. Uma carrega no peso do eletrônico e da atmosfera quase gótica, enquanto que a outra é um doom arrastado recheado com um solo “Shredder” de matar, e cujo crescendo é um dos mais deliciosos de acompanhar nos seus 9 minutos de duração.

Legal notar que, mesmo tão diferentes, elas são não apenas coesas com o resto do álbum (e entre si) como coerentes com toda a sequência dos três álbuns. Ouvi-los em sequência é uma experiência única, é como assistir os três filmes da trilogia do Senhor dos Anéis, pegando detalhes retomados aqui e ali depois.
Primoroso e sombrio. E se há algo que permeia os três álbuns e o tom dark, com vocais que alternam entre o tradicional do black metal com um lamento gótico distante e funéreo, o que não torna sua audição algo para todos os ouvidos. Nessa lista de hoje, aliás, ele deprimiria qualquer um que saísse da mais pura alegria ouvindo o 20º lugar, por mais fã de Double Dragon que você seja.
E o que mais me intriga é que eles não abdicam de cantar em francês, mesmo não sendo um tipo de língua diretamente associado ao estilo que produzem. Mas também porque, em termos de criatividade, eles estão anos luz à frente de quase tudo feito lá no norte da Europa.
Acho que a melhor definição do que eles fazem foi dada, de modo nada amistoso, pelo vocalista Vindsval (roubei da Wikipédia):

“Blut Aus Nord is an artistic concept. We don’t need to belong to a specific category of people to exist. If black metal is just this subversive feeling and not a basic musical style, then Blut Aus Nord is a black metal act. But if we have to be compared to all these childish satanic clowns, please let us work outwards [from] this pathetic circus. This form of art deserves something else than these mediocre bands and their old music composed 10 years before by someone else.”

Nota: Pela perfeita coesão no caos da criatividade e pelos culhões, 9 apolos!

País: Itália
Estilo: Estilo: Doom Metal/Sludge/Psicodélico
País: Inglaterra/Suécia
Estilo: Rock progressivo/psicodélico/experimental/folk/ambient
Nota: 9
Estilo: post-rock/ambient
Nota: 10




15. The Overtones – Higher

País: Inglaterra/Irlanda/Austrália
Estilo: Doo-Wop, Boy Band, Vocal Harmony, Pop

Fábio, que que é isso? Tá ouvindo boy band?!
Sim e não. Em sua concepção original, o fantástico The Overtones não é em si uma boy band nos moldes que estamos acostumados, mas bebem direto numa das fontes do estilo: o Doo-Wop. Esse estilo vocal americano que fez muito sucesso com cantores negros surgiu na década de 40 e influenciou muita, muita coisa. Basicamente, sem The Temptations, The Platters, The Flamingos e outros grupos maravilhosos, não teríamos a Motown e toda soul music como conhecemos!
Aí, no século XXI, cinco caras brancos, sendo três ingleses, um australiano e um irlandês, decidem fazer Doo-Wop moderno. E o resultado? Estiloso sem deixar de ser moderno, eu diria que o que o The Overtones faz é não apenas atualizar um antigo estilo consagrado mas, ao ficar no limite entre isso e as boy bands, ele melhora consideravelmente o pop dessas bandas de garotos dos anos 80 e 90. Claro que eles tem a vantagem de serem 5 caras que cantam muito e manjam demais de harmonização vocal, mas a produção de Higher (ainda se compararmos com o disco de estréia deles) se mostra uma coisa acertada. Esse disco é um exemplo de que pode haver pop de qualidade, que faz sucesso sem perder a essência e a qualidade do trabalho.
E os covers que eles escolheram mostram ainda mais o quanto eles são cantores mais que competentes. De clássicos como Sh-Boom, famoso na voz dos The Chords, a You’ve Lost that Loving Feeling, famosa com os Righteous Brothers e com, claro, o Rei, são todas versões maravilhosas. Eu os deixo, portanto, com a versão do clássico supremo Runaround Sue, ao vivo, pra vocês sentirem o quanto esses caras são bons. Não os subestimem pela embalagem: o produto final é simplesmente incrível.



Nota: por ressuscitar com propriedade o Doo-Wop e melhorar o estilo Boy Band de ser, 9 apolos e meio!

Na próxima publicação mais cinco pérolas de 2012, com Peixe, Funk e Tendões! Abraços!

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