Melhores álbuns do primeiro semestre 3 – 2012

http://www.radiometal.com/en/article/storm-corrosion-soul-mates,71733

Continuando as postagens anteriores (que você pode conferir aqui e aqui), trago hoje duas pérolas que, a meu ver, são muito parecidas em seu objetivo final. Vocês vão entender, ou não, ao fim do texto (espero). E hoje estamos nos aproximando das notas máximas! Vamos lá galerinha?

Storm Corrosion
País: Inglaterra/Suécia
Álbum: Storm Corrosion
Estilo: Rock progressivo/psicodélico/experimental/folk/ambient


Comentário: O que mais pode-se dizer de Mikael Akerfeldt e Steven Wilson? Líderes de duas das mais prolíficas bandas de rock dos últimos 20 anos, os caras são gênios consolidados e não devem ser tratados com menos respeito que isso. E o que dizer de um projeto que une essas duas cabeças? Bem, considerando as participações do Wilson em discos do Opeth como produtor e o trabalho de ambos à frente de suas bandas, eu esperava algo no mínimo genial.
Ouvindo o Storm Corrosion, percebe-se maior relação do som apresentado com o último trabalho do Wilson, o intocável Grace for Drowning, mas não há uma distância tão grande do que o Opeth fez em Heritage. Uma das coisas que os dois músicos trabalham melhor, o clima, é protagonista desse trabalho: já em Drag Ropes se sente o peso e a soturnidade do som, característico tanto do Opeth quanto do Porcupine Tree, e que combina lindamente com as idéias criativas de ambos. É um disco bem sombrio e, porque não dizer, muito minimalista.
Mas essa faceta minimalista é trabalhada em todas as suas possibilidades pelos dois, o que dá origem a um trabalho que é, no mínimo, uma obra prima.
O destaque, pra mim, além da linda voz de Akerfeldt e as belíssimas vocalizações de Wilson, são os violões (temos dois grandes guitarristas juntos, não esperava menos) e as escolhas feitas. Podíamos ter um disco de muito peso, mas eles optaram pela leveza. A música título, com seu solo climático de guitarra e os violões de fundo levam a um crescendo lento e muito bem construído com a entrada das percussões e cordas até chegar a uma pausa que sustenta o ouvinte na mais absoluta tensão e assim o sustenta por minutos a fio. Não espere uma explosão, depois disso… na verdade o que vem é flauta, mais violões, violinos e a belíssima voz de Akerfeldt. 
A seguir vem Hag, com Wilson no vocal, que dá espaço para experimentações mais pesadas, que lembram bons momentos de bandas de rock progressivo do passado, como King Crimson ou Gentle Giant, duas de minhas bandas favoritas do rock progressivo. Mas sempre, sempre mantendo o clima sombrio, em todas as músicas subsequentes. Destaco, ainda, Lock Howl, uma soberba viagem instrumental.
Em suma, o álbum é muito mais folk, quase nem podendo ser considerado, a meu ver, um álbum de rock and roll. Só não darei nota máxima para ele pois, diferente de alguns por aí que acham que banda de death metal só deve gritar, eu esperava uma surpresa maior no disco. Onde ele não é muito parecido com o Grace for Drowning, ele é o Heritage, em suma, uma mescla do que os dois vem fazendo nos últimos anos, só que bem mais leve. Apesar de ser uma experiência extremamente agradável, esse disco é pra mim apenas a consequência dos caminhos trilhados por ambos os artistas em suas irretocáveis carreiras e, de tal modo, a consolidação dos direcionamentos de ambas. Apesar de genial, ele não me surpreendeu, faz apenas o mínimo que eu gostaria de ouvir de ambos… o que já é muita, muita coisa. Mas senti a falta de um “turning point” no disco, um momento onde a coisa saísse do caminho trilhado até aquele ponto e te jogasse pra outra região. É um disco bem atmosférico (Ljudet Innan, a última canção, é o melhor exemplo disso, e é a melhor música do disco) e que exigirá paciência dos headbangers para ser apreciado. É mais fácil um fã de Radiohead, Sigur Rós e Björk gostar desse disco que um fã de Opeth ou Porcupine Tree.
Mesmo assim, é recomentadíssimo! E fiquem com um dos mais belos clipes que eu já assisti na vida, o tenso, dramático e extremamente criativo clipe de Drag Ropes:


Nota: 9 Apolos




Ufomammut
País: Itália
Álbum: Oro: Opus Primum
Estilo: Doom Metal/Sludge/Psicodélico


Comentário: Tem gente que acha que, pra fazer um som sombrio e malévolo, é necessário encher o ouvido do seu fã de pancadaria e gritaria. Tem gente que acha que pintar a cara e usar couro bota medo. Bem, essas pessoas provavelmente não dormiriam à noite ouvindo Oro, do Ufomammut.
Eu já tinha ouvido esse nome por aí mas nunca corri atrás, apesar de adorar o gênero a que eles se filiam (tem muita, mas muita coisa boa mesmo no sludge e no doom). E que erro o meu… essa banda é pra estar pelo menos no olimpo do gênero, ainda mais que eles movem-se para outros caminhos ainda mais sombrios. No fim, como o disco do Storm Corrosion, Oro é pura atmosfera. Mas uma atmosfera claustrofóbica e ainda mais tensa.
A introdução, Empireum, com seus quase 14 minutos de duração é, admito, um teste de paciência. A música é repetitiva ao extremo e pode cansar fácil o ouvinte, mas ninguém disse que o que é bom vem fácil. O crescendo eterno de Empireum cria todo o ambiente necessário para os calafrios que tomarão conta da sua espinha depois. É um “Bolero de Ravel” das trevas.
Depois do teste, hora de mergulhar na psicodelia mais sombria que você já ouviu. Sério, mesmo perto de outros trabalhos de bandas similares, tudo em Oro soa ainda mais pesado e obscuro. Aureum, a segunda peça, é mais pesada e violenta que muita banda “malvada” que usa e abusa do bumbo duplo por aí. A questão aqui não é exagerar, é justamente o contrário: O Ufomammut escolhe milimetricamente onde cada peça do seu quebra cabeças bizarro vai se encaixar e não se preocupa em demorar muito pra dar corpo a isso. Penso até que, conscientemente, os italianos rumaram para o caminho de bandas mais drone, como Earth, Sleep e Sunn 0))), pois é isso mesmo que eles fazem. Isso é Aureum e também Infearnatural. Nessa última, o vocal é uma sombria sombra por trás da parede de som criado por bateria, baixo e guitarra, cada vez mais pesados e densos a medida que a música progride (sempre lentamente). Acho que é a música mais pesada que eu já ouvi na vida (ou pelo menos, a com o baixo mais grave!).
E, quando se conjuga aquele som constante de Empireum com os riffs opressores de Aureum e Infearnatural, surge Magickon. E que doidera isso! Magickon é a repetição da Emipreum com os riffs das anteriores! Me lembrou o procedimento sinfônico em música clássica, onde se repete uma certa frase musical por vário movimentos, com alguma variação construida nos intermezzos. Só que a “frase” é apenas uma sequência mínima de notas em um sintetizador. Eu achei genial.
Por fim, nada te prepara para Mindomine! Simplesmente ouça e preste atenção som da bateria nessa música. É genial!
Bem, definindo o som que você vai ouvir, imagine-se esmagado por um colosso com uma marreta numa piscina de lodo petrificado e explodindo em seguida. Ou algo parecido. Não é pra todos os ouvidos, mas é gratificante se espancado pelo Ufomammut.
Um último adendo: esse é a parte 1, apenas, de um disco duplo! Mal posso esperar.


Nota: 10 apolos, com certeza!

Depois dessas duas trilhas sonoras de pesadelos, pode tentar dormir que amanhã tem mais!
Abraços!

PS: “The Beatles and Pink Floyd were products of their own time, but they were also discovering new things, exploring and doing things in a different way. They didn’t want to sound and play like everyone else. It’s the same thing with us: we don’t want to sound like Sunn O))), for instance. We don’t want compare ourselves to The Beatles, because they were geniuses and were responsible of some of the all-time masterpieces of music. But to draw from the attitude of The Beatles and Pink Floyd is important for us. Just the idea of exploration…and The Beatles, for example, they explored so much. They have these amazing records with everything inside, and there are songs like “Helter Skelter,” which, while not heavy, is a totally frightening song. We really love other bands, as well; like for example Black Sabbath and Led Zeppelin. You know, I could go on and on about the bands I like, but, really, The Beatles and Pink Floyd are my childhood. My parents were listening to The Beatles, and when I was very little I had these cassettes full of their songs. You know, The Beatles are like my DNA.”

Poia, guitarrista do Ufomammut.

http://community2.metalreview.com/blogs/editorials/archive/2010/11/28/ufomammut-music-as-a-religion.aspx


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