Melhores álbuns do primeiro semestre 2 – 2012

http://www.brooklynvegan.com/archives/2012/04/eye_journeys_to.html

Uma das coisas difíceis em se propor a fazer uma lista como essa é que muita coisa que eu queria (ou deveria) ouvir nesse semestre acabei ou ouvindo tare demais ou não ouvindo. Por conta disso, em muito, a lista poderá parecer falha. Mas não vejo problemas nisso, afinal é apenas uma prévia do que eu pretendo fazer no fim do ano, e isso não quer dizer que eu não possa fazer um adendo com menções honrosas, que eu faço agora.

http://www.blabbermouth.net/news.aspx?mode=Article&newsitemID=176352


A linda (sério gente, quero casar com ela) russa naturalizada americana Regina Spektor é um nome que aparece por aí, na boca de gente que eu conheço mas nunca dei a devida atenção. Uma amiga querida que fiz recentemente, porém, teceu tantos elogios que resolvi ir atrás e, PQP, que voz linda que essa mulher tem! Além disso, as composições são uma melhor que a outra. Ouvi seu disco anterior, Far, e amei, e só agora estou dedicando meu tempo ao What we saw from the cheap seats, o que me impede de dar ainda uma nota a ele, mas não me impede de recomendá-lo imensamente (assim como seus outros trabalhos).

Perfume Genius veio por outro amigo, mas eu estava empolgado demais com um dos discos que vai aparecer nessa lista e acabei, também, não dedicando tanto a audição a ele. Como nesse fim-de-semana me dediquei a rever esses discos para decidir quem entra e quem sai, eu ouvi o cara de novo e, realmente, é um achado. Seu novo álbum, Put Your Back N to It, é minimalista, melancólico, depressivo… mas ele imprime na delicadeza de sua voz uma força tão grande que não tem como não sentir as impressões que esse disco evoca. Mike Hadreas (o nome verdadeiro do cara) tem um inegável talento.


Mudando totalmente o clima, temos os gigantes do Nile. Relutei muito em não adicioná-los ao “Card Principal” dessa listagem, mas o meu problema com At the gates of Sethu é que, mesmo ele sendo fantástico, ele ainda não “cresceu” em mim. Eu aprendi a amar Nile (e o death metal brutal que eles realizam) com Those whom the gods detest e, no caso daquele álbum, foi amor à primeira audição. Aqui eu tenho uma sensação péssima, que é a de “mais do mesmo”, o que não me agrada em uma banda tão inventiva quanto o Nile. Na verdade, perto do que tem por aí, mesmo assim qualquer álbum deles está acima do nível médio da música atual. Mas… não sei… quem sabe até o fim do ano eu consigo “ser pego” pelo At the gates of Sethu.

Bem, agora vamos ao prato principal do dia.

Borknagar
País: Noruega
Álbum: Urd
Estilo: black metal/prog metal/folk metal



Comentário: Nunca fui fã de black metal, bem como minha admiração pelo lado mais extremo do heavy metal vem de poucos anos. Sempre achei muito tosca a postura de “movimento” assumida por alguns de seus membros, o fanatismo, o couro, os espinhos, a pintura de panda… Sempre foi mais difícil pra mim respeitar alguém que acredite de verdade no satanismo que use o diabo como um discurso de rebeldia. E esse extremismo recaía sobre a música: raros eram os músicos dedicados a modificar o estilo cru e sujo das bandas originais. Mas, aos poucos, abri meus ouvidos para gente criativa dentro desse meio, como no death metal, e tive algumas surpresas. O que mai me impressionou, porém, é ver uma banda como o Borknagar, que pra mim era sinônimo de “norwegian black satanist troo metal” compondo essa pérola que é Urd. Mas aí percebi que o preconceito era meu, já que nunca tinha me dedicado a ouvir os trabalhos deles. E pior, eu não associei o ato com o seu talentoso membro, o Vintersorg! Mano, eu sei que pra quem curte vai parecer doidera, mas eu conheci (e gostei) primeiro do Vintersorg antes de saber que ele era a cabeça (e a voz) por trás do Borknagar. E voltamos ao Urd com isso na cabeça.
Você vai notar, em primeiro lugar, que apesar do peso, dos blast beats, da presença do vocal rasgado, que o disco é predominantemente progressivo e mais suave que qualquer disco de black metal disponível no mercado. Eu diria que ele, aliando os temas e a proposta, temos algo bem distante de um disco de black metal, mas um disco de metal progressivo com elementos de black metal. O que soa comum, para muitos, funciona lindamente nesse disco.
A introdução, com a pancada “Epochalypse”, já cria um clima legal pro álbum dada a construção calcada no perfeito equilíbrio entre peso e harmonia sinfônica, o que se repete em “Roots”. E é só partir para coisas como “The plains of Memories” ou “Age of Memories” para ver que o Borknagar não é apenas mais uma banda de black metal por aí, mas uma baita banda em si. Impressionante como esse disco fica melhor dia-a-dia. Preciso ir atrás do trabalho dos caras, sério.





Nota: 9 Apolos e meio






Eye
País: Estados Unidos
Álbum: Center of the sun
Estilo: rock progressivo/psicodélico



Comentário: Se tem algo que eu adoro é buscar por coisas novas, diferentes, desafiadoras. Adoro descobrir artistas que inovem a abordagem, que desafiem o pré-estabelecido, que ousem. Mas, a maior ousadia dos americanos do Eye é justamente voltar ao passado com muito estilo sem perder aquele pé no presente.
Pense no que seria o Pink Floyd se o Syd Barret continuasse na banda e todos usassem mais ácido. Sim, eu não tô brincando, a comparação mais próxima que eu faria do som do Eye com algo é com o Pink Floyd. E, claro, com toda a psicodelia dos anos 70 (a banda usa um Mellotron!). O Eye, porém, evita apenas emular esse tipo de som, ele o evolui. E ficam claras as influências de doom metal, sludge, stoner e outras coisas dessa seara no som quando você mergulha nas entranhas da peça central do álbum, a colossal “Center of the sun”, com seus DEZENOVE MINUTOS de piração. A sua introdução remete de Van Der Graaff Generator a Sunn 0))), de King Crimson a Earth, e sem vergonha de experimentar, de ousar soar datado. Sério, se o disco tivesse apenas essa música, ele mereceria dez.
Infelizmente, as três faixas seguintes, por melhores que sejam (entendam bem, elas são ÓTIMAS), não tem o mesmo impacto do monstro que introduz o disco. Mas, mesmo assim, são muito melhor do que poderia se esperar de um disco de uma banda estreante. Sim, esse é primeiro disco deles… e que disco, meu amigo. Eu simplesmente não consigo parar de ouvir esse disco.
Muitos vão achar por aí o Center of the sun datado de outubro de 2011, bem como eu achei seu lançamento como tendo acontecido em abril de 2012 (!?). Eu ouvi em 2012 e, pelo visto, se ele foi lançado em 2011, foi em 31 de dezembro, porque a maioria dos reviews é de 2012… Mas é difícil falar de uma banda sem informações, da qual não se encontra nada na wikipedia, nem em quase nenhum lugar, e quem tem entre seus membros cara de bandas “famosíssimas” como Deadsea e Teeth of The Hydra.

Nota: 9 apolos e meio (mas a primeira música é nota 11!)

Amanhã tem mais pe-pe-pessoal.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s