Quid pro quo



Segundo a Wikipedia:


Quid pro quo é uma expressão latina que significa “tomar uma coisa por outra”. Refere, no uso português e de todas as línguas latinas, uma confusão ou engano. Tem origem medieval, tendo sido usada, na sua origem, para referir um engano no uso de termos latinos num texto. Também podendo significar “Isso por aquilo”.
O seu significado nos países anglo-saxônicos evoluiu num sentido diferente, e é aí usada agora como como significando uma troca de bens ou serviços. É também aí muitas vezes usada como sendo troca de “favores”.



A revista Veja, aquela em que se pode confiar, que defende a moral e a ética, virou alvo… E, depois de muito fugir da raia, resolveu se defender!


A seguir, trecho de texto publicado em 12/05, sob o título: Falcão e os insetos: guerrilha digital envenena o Twitter, onde a revista Veja acusa Rui Falcão, presidente do PT, de articular uma guerrilha digital contra a revista utilizando Twitter (com um recurso infográfico, inclusive) e redes sociais:


“A internet aceita tudo. Chantagistas contrariados fazem circular fotos de atrizes nuas (vide o caso Carolina Dieckmann), revelam características físicas definidoras (“minimocartaalturareal1m59cm”), apelidam sites com artigos do Código Penal (“171”, estelionato) e referenciam-se em doenças venéreas — por exemplo, na sífilis (grave doença infecciosa causada pela bactéria Treponema pallidum) — para formar sufixos de nomes. É lamentável sob todos os aspectos que uma inovação tecnológica produzida pelo engenho, pela liberdade criativa e pela arte, combinação virtuosa só possível sob o sistema democrático capitalista, baseado na inovação, na economia de mercado e na livre-iniciativa, tenha nichos dominados por vadios, verdadeiros limbos digitais onde vale tudo — da ofensa pura e simples a tentativas de fraudar a boa-fé dos usuários. Cidadãos que se sintam atingidos por epítetos como esses acima, que vagam pela internet, infelizmente, não têm a quem recorrer.”

Raras são as vezes na história desse país em que se lerá em letras caras a postura política dos homens por trás da Veja como neste pequeno trecho. Aqui encontramos claramente a filosofia política por trás da Veja: ela é a defensora dosistema democrático capitalista, baseado na inovação, na economia de mercado e na livre-iniciativa”.

E, numa megalomania assustadora, cada vez mais, a Veja posa de defensora de algo quando, na verdade, ela deveria se preocupar em SE defender.

A Veja assume para si um discurso até raso, mas que é estratégia clássica para qualquer rato sem saída, num misto de maquiavelismo e contra-argumentação falaciosa.

Num outro momento do texto, surge a tradicional visão clássica civilizatória, que pensa a nação americana como o centro filosófico, político e cultural do ocidente: Em algum momento, essas diatribes precisam ser atenuadas, pois nem os filtros disponíveis nos programas de mensagens são capazes de impedir essas distorções que tanto atrapalham a funcionalidade e minam o gigantesco potencial civilizatório da fenomenal invenção nascida das melhores cabeças científicas e comerciais dos Estados Unidos da América.”

Não apenas é assustadora a associação direta de “cabeças científicas” com “comerciais” – porque, de fato, o pensamento eminentemente capitalista e neoliberal prevê que uma coisa só pode existir em benefício da outra -, mas a insistência em um alarmismo paranóico que tenta fazer o leitor crer em uma articulada organização que visa perseguir e censurar. Paranóia sempre funcionou melhor que informação, e é assim que o sensacionalismo substitui a busca pela verdade nos fatos. Datenas chovem nas tevês com a mesma estratégia, gritando palavras de “justiça” que deixariam qualquer Olavo de Carvalho orgulhoso.


O mais legal é que a Veja distorceu tudo, descaradamente. O suposto robô de que ela fala, que estaria sendo usado por petistas para o tuitaço é um ser humano e já foi até entrevistado:

http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/05/mentira-da-veja-sobre-os-robos.html?spref=tw


E, lendo o texto que aqui reproduzi, dá pra repensar o final da matéria da Veja:


A utilização massiva da internet, das redes sociais e de blogueiros amestrados faz parte das táticas de engodo e manipulação da verdade no Brasil. Internautas, fiquem de olho neles.



De olho em manipulações, Veja? Diante da acusação a sua única estratégia é empurrar uma a paranoica teoria da conspiração via Trending Topics? Isso realmente é tudo que a revista mais lida do país pode fazer para se defender? Jânio teria orgulho, viu?


Mas o baluarte da moral e dos bons costumes, Reinaldo Azevedo, já defendeu o seu palanqueA estratégia da ridicularização é tradicional deste blogueiro, que acusa os outros de sujos mas chafurda na lama da própria publicação. Ele distorce o que a própria revista disse em prol do que a revista quer defender. O discurso é o não dito pelo dito.


Mas a análise aprofundada desses episódios — e em especial daquele identificado pelo marcador #vejabandida — mostra que dois artifícios fraudulentos foram usados para fingir que houve adesão enorme ao movimento. Um robô, que opera sob o perfil “@Lu-cy_in_sky_”, foi programado para identificar mensagens de outros usuários que contivessem os termos-chave dos tuitaços, replicando-as em seguida. Além disso, entraram em ação “perfis peões”, ou seja, perfis anônimos, com pouquíssimos seguidores e muitas vezes criados de véspera, que replicam sem parar mensagens de um único tema (ou melhor, replicam-nas até atingir o limiar de retuítes que os tornaria visíveis aos mecanismos de vigilância de fraudes do Twitter.


Funciona assim: me perguntam se eu acredito em Deus, e eu digo que não. Depois afirmam que eu acredito em Satanás porque não acredito em Deus, pois uma coisa é o oposto da outra, logo é o lógico, certo? Da mesma forma, podem dizer que eu acredito na divindade como conceito, mas não no Deus cristão, pois o Deus assim, com maiúscula, não é sinônimo de Shiva, Rá ou Alá, mas apenas do Deus Cristão. Como não dei uma informação completa – porque, em verdade, a afirmação deveria se bastar -, a “lacuna” permite que preencham-na da maneira que aprouver ao interesse de quem interpreta a afirmação. E isso vai ser tido como verdade para quem quer ler assim.


Interessante é que o próprio blogueiro em outro texto de seu blog afirma que esses robôs são “pessoas que não existem”:


No Twitter, como deixa claro a reportagem da VEJA, a realidade não é diferente. Também ali, tuitaços são organizados por gente que participa do jogo político, e robôs se encarregam de multiplicá-los por intermédio de perfis praticamente sem seguidores. São “pessoas” que não existem. Nas respectivas áreas de comentários dos sites noticiosos, você pensa estar debatendo com um outro homem ou mulher-célula (como você), com um indivíduo (como você), e, na verdade, está a enfrentar um militante ou um militonto partidário que representa uma legião. É absolutamente legítimo que as pessoas tenham partido e até mesmo que o defendam na rede. Mas não é legítimo que o tuiteiro esteja a cumprir uma tarefa da máquina partidária — a menos que se identifique como tal. Você pensa estar, no Twitter, aderindo a uma causa surgida na rede e, na verdade, é apenas peça passiva de manipuladores.


Posso interpretar esse “pessoas que não existem” como uma contradição dele, não? O que é mentira e o que é interpretação no caso? Porque a interpretação alheia baseada nos fatos recolhidos, ou seja, a entrevista com a tal @Lucy_in_Sky_, não é interpretação, mas mentira e a afirmação que ela é um robô é mentira e não interpretação.


E esse escudo Reinaldo Azevedo é apenas um dos escudos que a Veja utiliza. A publicação semanal, da banca de jornal, é ainda mais baixa.





O “verniz democrático” da Veja está presente, ainda, na capa da revista nessa semana, que – como todo bom conservador acuado – usa a sua bíblia, a constituição, para fazer valer os seus gritos desesperados. A constituição – ou carta magna, como gostam de dizer os conservadores – serve ao reacionário como a Bíblia serve ao religioso: é a suprema norma, que é usada sempre mais em defesa de seus interesses que em defesa dos interesses comuns; a estratégia é que se advogue que ela sempre defende os interesses comuns, pois é uma palavra de uma autoridade superior a nós. Logo, ao invocá-la, necessariamente seus interesses privados se tornam os interesses comuns. Nem sempre  é possível que uma lei ou conjunto de leis possa ser lida literalmente mas, no caso, tomada dogmaticamente, ela é usada de tal forma como arma contra o “inimigo”, seja ele o demônio ou o comunista. E todos se irmanam contra o inimigo, pois querem estar do lado da palavra, e assim viram massa de manobra de interesses alheios. E a Veja assim procede, como se a luz fosse ela, última na escuridão da sociedade brasileira.

A estratégia da Veja é baixa e sem precedentes na história desse país. É só ler o próprio texto postado na página da revista, que mais uma vez distorce as acusações em prol de defender uma visão enviesada do que é a “liberdade” a “democracia”.


A frase de efeito do início diz tudo: “A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”

Essa afirmação está corretíssima, óbvio ululante. É como dizer que o meu papel é ser do bem. Qualquer um compra, é fácil.

É como um político. Todo o político é a favor de que se invista em agricultura, saúde, educação, trabalho e segurança – os cinco dedos do FHC, lembra?


E quero ver ainda um político dizer que não vai investir em qualquer uma dessas cinco coisas! E, da mesma forma, qualquer um sabe que sua ética não deve variar de acordo com quem te dá informações, porque o contrário disso é ser LEVIANO! É como dizer, ainda, que você é contra a violência sexual contra mulheres! Quem é a favor é CRIMINOSO, não?

Mas a demagogia serve ao discurso da “ética” e da “liberdade de expressão”.

E, aliás, quem a Veja é pra falar em liberdade e em censura? Quem está censurando a Veja? Sua cúpula está sendo acusada de um CRIME, não é censura isso, é investigação! Investigação da Polícia Federal, que levou ao fato documentado de que a cúpula da revista tem relações íntimas com o Carlinhos Cachoeira e que a revista servia de veículo para seus interesses.

Mas a revista, no auge dos ataques contra seus supostos aliados, se fez de cega e apostou em outras capas, com assuntos diversos. Isso não é manipulação… isso é sonegar informação a seu leitor. Leitor que acreditou que o Arruda era a melhor opção para o governo. Arruda… aquele que após violar o painel do senado “deu a volta por cima”.



Ah, a nota na frente da imagem se refere ao empenho no valor de R$ 442.462,50 que o governo de Arruda assinou para comprar assinaturas da revista Veja com o dinheiro público do Distrito Federal.

A Veja que, aliás, elegeu como mosqueteiro da ética o senhor Demóstenes Torres, aquele que é amigo do Cachoeira.



(Lembrando que, para a Época, ele também é um homem de “princípios e convicções”.)

Meu problema em si nem é com o crime. Este, se foi cometido, será julgado e, espero, os responsáveis punidos. Meu problema é em uma revista como a Veja defender liberdade e ética. Como bem disse o Mino Carta em um texto publicado hojeEle se refere ao editorial do Globo de hoje“Roberto Civita não é Rupert Murdoch”, uma peça de corporativismo digna, sei lá, de comunistas (camaradagem é coisa de comuna, né?)! E, claro, ataca o filhote mais querido de Mino, a Carta Capital. Bem, eu sei que há de se duvidar sempre dos dois lados, mas não posso deixar de concordar com o trecho a seguir:

Vamos, de todo modo, à vezeira acusação de que somos chapa-branca. Apenas e tão somente porque entendemos que os governos do presidente Lula e da presidenta Dilma são muito mais confiáveis do que seus antecessores? Chapa-branca é a mídia nativa e O Globo cumpre a tarefa com diligência vetusta e comovedora, destaque na opção pelos interesses dos herdeiros da casa-grande, empenhados em manter de pé a senzala até o derradeiro instante possível.

Sim, porque Gilberto Freyre saberia identificar claramente esses sinhôzinhos que enxergam qualquer possibilidade de perder seus espaços como afronta, atentado e terrorismo. Não sou a favor do que o PT se tornou, mas não sou cego quanto ao que o governo de Lula e Dilma representam perante ao mundo de FHCs, Collors e (urticária) os milicos.

A senzala interessa à Veja, tanto que lemos em seus textos palavreado digno de nojo de tão incompreensíveis (Olavo de Carvalho feelings, again).

Nesse caso nem assusta que o blog de política da Veja seja intitulado Maquiavel. Pra revista, a defesa de sua liberdade e ética é mero maquiavelismo (lembrando que nada isso tem a ver com o Nicolau): os fins justificam os meios. E, como já Napoleão o fez, a Veja se acha o Príncipe. E para esses príncipes, os fatos

E, como bem diz o blogueiro (sujo, né Reinaldo?) Rodrigo Vianna:
Fatos não são o forte de “Veja”: dólares para o PT trazidos em caixas de whisky (que ninguém nunca viu), contas no exterior de gente ligada ao lulismo (jamais  encontradas, mas noticiadas como verdadeiras), queda de Hugo Chavez em 2002 (comemorada antes da hora,  com uma capa vergonhosa), grampo sem áudio (hoje, graças a outros grampos com áudio do esquema cachoeira, sabe-se porque o grampo sem áudio virou notícia na “Veja”)…


Aliás, aconselho muito a leitura desse texto do Vianna. Ele mostra como a Veja foi capaz de acreditar no Boimate: o cruzamento de um boi com um tomate! Não é de se espantar, haja vista que é a mesma revista que ainda vive na guerra fria e acusa seus inimigos de serem comunistas leitores de Gramsci! Sim, todo inimigo do “sistema democrático capitalista, baseado na inovação, na economia de mercado e na livre-iniciativa” é um Trotskista. E existem desses em toda esquina, esperando pra comer criancinhas indefesas. A inovação do capitalismo não impede a Veja de acreditar em um complô comunista via internet contra a revista. E quem vive no passado é militante de esquerda, né?

É Veja… mas que quiprocó, héin?


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