Panic Attack!

Há excelentes humoristas no Programa Pânico na Band, como o Carioca (exímio imitador) e o Cesar Polvilho. Mas como sabemos, obviamente, o programa passa longe de se resumir aos dois: ele tem outras “atrações” que geralmente geram uma imensa polêmica. Desde ontem tenho visto muita gente aqui reclamando da tal “raspagem” da cabeça da modelo Babi Rossi. Acho digno que as pessoas reclamem, pois foi uma atitude despropositada e, do ponto de vista de humor mesmo, não passa de uma maneira de fazer troça mediante uma situação degradante. O que me espanta, contudo, é quantas vozes se levantam contra o programa (e a polêmica não passa de, também, publicidade) mas não contra outras coisas tão nocivas quanto que ainda se alojam na tevê. A Globo, por exemplo, continua a insistir no degradante humor do Zorra Total, mas muita gente não se importa. Não se importam com quadros como o de Valéria e Janete, que servem para humilhar mulheres e travestis ao mesmo tempo. O pasteurizado humor da Praça é Nossa usa dos mesmos subterfúgios: exploração da figura feminina, humor repetitivo e tal, e ninguém fala nada. Fala-se do Pânico por quê? Porque provavelmente todos aqueles que reclamaram assistiram o programa, tornando-o líder de audiência ontem, e propagam a polêmica que o Pânico quer que se propague, fazendo o marketing deles. Eu, se não tivesse facebook, nunca saberia do que aconteceu, porque não assisto tevê a não ser pra ver Fórmula 1 e, raras vezes, futebol. Mas o facebook reproduz o que a tevê impõe, e nessa reprodutibilidade eles conseguem a audiência que desejam. 
Nem preciso ficar apenas no Pânico: é só ver quantas pessoas tiraram o dia de ontem pra fazer piada com o Corinthians. É apenas um discurso reprodutor, que demonstra a vazia interpretação e falta de senso crítico perante a realidade (o futebol brasileiro está indo pro buraco e só tem a perder com campeonatos sucateados como o Paulistinha) e demonstra, como no caso da Babi, a imbecilização do espectador. A mídia reclama da violência nos estádios é a mesma que estimula a competição e a troça entre torcedores em todos os níveis. E não falo aqui de provocação, que faz parte do esporte mesmo, mas de achincalhar à toa, seguindo as gracinhas de gente vazia como Tiago Leifert (que já deixou de ser relevante há tempos, mas insiste no personagem), quando deveríamos se unir em prol de derrubar esse sistema podre do nosso futebol, boicotando a transmissão de Globo e afins, por exemplo.

Voltando ao Pânico, esses dias vi o quadro do Boris Casoy… e rachei de rir! A qualidade da interação entre o Carioca e o Polvilho, como disse, só demonstra o quão excelentes comediantes eles são, apesar de alocados em um programa que não tem a mesma qualidade. E, para equilibrar, eles apelam pra essa polêmica, da qual você, que também reclamava do BBB todo dia, é o principal divulgador. Pense nisso e tenha senso crítico: reclamar por reclamar não faz diferença alguma, apenas dá audiência pra quem não merece.
Não sei se as pessoas se levam a sério demais, ou se é o contrário. Mas uma coisa é fato: o facebook evidenciou o vazio intelectual da população brasileira média, expondo os seus preconceitos, sua falta de senso crítico e a visão distorcida de sociedade. Desde correntes falsas a memes sem nexo: tudo  é compartilhado sem o menos critério. Eu falo porque já o fiz também, e reconheço meu erro. As pessoas, ao contrário, não apenas insistem nos erros como esbravejam em favor de uma visão distorcida pela facilidade imposta pelo veículo midiático. A capacidade argumentativa se esvai na mera reprodução de superficialidades, em prol de defender uma série de bandeiras vazias e sem nexo como se fôssemos todos baluartes do bom humor, do bom mocismo e da boa moral. A única coisa mais contagiosa que opinião vazia no facebook é depressão (no facebook todo mundo tem depressão, já notaram? Tá na moda ser deprê).
Eu sou defensor de uma utilização consciente, pró-ativa e construtiva do facebook, mas também sou defensor do bom humor. Não quero aqui passar por chato (apesar de ser), mas atentar à preguiça das pessoas em refletir, em argumentar, em pensar por si próprias. Se escorar no Willy Wonka não te faz mais inteligente, mas apenas uma besta quadrada que não sabe quem é o Gene Wilder.
O Pânico é produto de seu tempo, não é a pior coisa do mundo, não merece sua indignação e não vai mudar por causa de sua indignação. E a Babi Rossi continua gostosa e bonita mesmo careca, porque só uma sociedade muito superficial para se ater à beleza apenas do ponto de vista da ausência ou presença do cabelo. Quem se limita a isso não sabe enxergar a real beleza do ser humano, que independe de roupa, de cabelo, de forma e de bunda. Há mulheres lindas carecas, gordas, punks, góticas, deficientes e o diabo à quatro! E, cacete, beleza não faz a pessoa! Aliás, todo mundo defende isso todo dia no próprio facebook: que se valorize o interior, que se destrua a falsidade, que se promulgue o verdadeiro conteúdo ao invés da forma… Então porque o choque? Será que é porque as pessoas não lêem o que elas mesmas compartilham? Quem age assim, para defender ou atacar, é tão vazio quanto quem critica.
Por isso essa é a única vez que falarei sobre o assunto.
Passar bem.

PS: Retornei dos mortos com polêmica, como meu espírito Luciana Gimenez adora. 

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4 comentários em “Panic Attack!

  1. Não me venha falar mal da depressão no face!!!
    http://www.facebook.com/pages/Clube-do-Tarja-Preta/151818488251416

    Mas realmente, o povo compartilha de tudo, só pq é muito fácil clicar em compartilhar, nem refletem sobre o assunto… o senso crítico parece q morreu. Agora a pouco ví uma postagem da Lélis, sobre uma montagem com memes envolvendo estupro. Do ponto de vista da ironia, ele é engraçado, mas qd vc se depara com assuntos como sexismo, homofobia, racismo, etc., a ironia pela ironia se torna absurdamente ofensiva e até mesmo criminosa. Na mesma hora lembrei do afamado quadro do Zorra Total que, apesar de mobilizações na internet criticando essa postura num programa de humor, ganhou até destaque dentro da própria emisora com direito a lançamento de DVD da dupla.
    Ao mesmo tempo me deparo com dissabores da minha profissão, onde rola o mesmo problema: Falta de senso crítico e, consequentemente, a falta de interesse e respeito.

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