A Engana-trouxa


Essa linda loura de olhos verdes ganhou 6 prêmios Grammy.

Ela não merece cinco.
Talvez, olha lá, o de melhor performance pop individual, mas só porque os concorrentes não fizeram nada pra serem grande coisa.
Do resto, eu posso dizer com absoluta convicção quem são os verdadeiros ganhadores.

Álbum do ano – Foo Fighters – Wasting Light


Canção do Ano – “All of the Lights” – Kanye West, Rihanna, Kid Cudi and Fergie

Gravação do Ano – Mumford & Sons – “The Cave”


Melhor Álbum Pop Vocal – Cee Lo Green – The Lady Killer


Melhor vídeo musical – curto – “Lotus Flower” – Radiohead
Isso porque apenas estamos falando de mainstream.

Se considerarmos o undergroud, nem o Foo Fighters ganhava.

E eles mereceram (quase) todos os prêmios que ganharam.

Talvez não o de melhor melhor performance hard rock/metal, onde eu elegeria o Mastodon e sua formidável “Curl of the burl”.

Mas vão dizer: tá, isso é só a SUA opinião.


Então vamos aos fatos.

Por que Adele é considerada TÃO boa.

Eu respondo: ela é gorda.

Não, ela não é obesa.

Ela é rechonchudinha, está acima do peso considerado padrão para a mídia.

Mas olhe para ela: essa mulher é linda.

A última coisa que se percebe nela são os quilos a mais.

Eu caio de quatro por esses olhos.

Mas o que sobra de beleza, falta de talento.

Ela não chega aos pés de metade das cantoras que tem como referência.

Sua voz é tão boa como a de qualquer cantora de churrascaria.

As letras de suas músicas parecem terem sido escritas pelo Zezé di Camargo.

Metáforas empoeiradas de uma profundidade de uma poça d’água.

Em suma: ela não é ninguém além de uma cantora mediana.


Com um produção que sabe exatamente que produto quer vender.

Querem vender a anti-Beyoncé, a anti-Katy Perry.

Uma cantora que não rebola, que não é magérrima e que não explora seu corpo.

Uma novidade tão grande da música quanto andar pra frente.

Sério?

Por que todas as fotos promocionais dela nunca a mostram de corpo inteiro?

Por que só ela, de todas as cantoras acima do peso, é o exemplo?


Ninguém lembra que ela é branca, loura e linda.

E que isso vende.

Vende cosméticos, discos, roupas.

Capitalismo é isso aí.

E ela vende também uma excelente historinha de superação, né?

A gordinha, o patinho feio que fez sucesso.

As pessoa nunca ouviram falar de Aretha Franklin?

E a Aretha ainda era negra!

Pior o caso da Sharon Jones, que o meu grande amigo Chico Diniz me apresentou.

Talentosíssima.

Gorda e negra.



Foi deixada de lado quando a Amy Winehouse surgiu.

A Amy tinha um baita talento sim, ela sim.

Mas não era metade da Sharon.

Quer dizer, de talento, porque quanto ao corpo era menos da metade.

E agora Adele vai fazer mais sucesso que a Sharon de novo.

Adele é um produto muito bem criado.

Ela atinge o público com uma boa voz, nada de especial.

Conquista pela beleza.

E por fugir dos padrões de beleza.

Da mesma forma que, no Brasil, gente péssima como Maria Gadú vende.

Ela é um produtinho dos mais rasteiros… todo ano tem uma igual.

Já foi a Ana Carolina, a Zélia Duncan, a Adriana Calcanhoto.

E o fato é que não surge ninguém relevante na música vocal feminina do Brasil desde a Cássia Eller.

Mas todo ano tem um produto pronto e embalado pra consumo da classe média vazia.

Que reclama de BBB e assiste novela das 8.

Que ama as formas cheinhas da Adele mas não larga as fúteis revistas de dieta.

Que se acha intelectual porque ouve uma cantora que divide o palco com o néscio do Caetano.

Ou porque vai no show do Chico Buarque e goza.


Adele é fútil como uma revista Nova, e o público é o mesmo.

Gente frustrada e vazia.

Só alguém muito cego pra não perceber que o produto é justamente esse e que os empresários que sustentam esse mercado manjam bem do que tem em mãos.

Eles vendem a superação dela como a sua superação.

Clássico da auto-ajuda.

Muita gente ficou rica assim.

Agora me diga: ela é mais cantora que o Cee Lo Green?

Em que universo você vive?


O Grammy é uma propaganda tão bem arquitetada que no dia da morte de uma Diva – Whitney Houston, que cantava muitíssimo mais que a Adele – outra “surge”.

Maquiavelismo?

Não, realismo.

E tristeza… em concluir que o maior artista do século XXI até agora, Kanye West, ainda é desprezado.

Só porque, como um bom Romário, ele sabe que é bom.

E não engana ninguém.

Ele é um monstro.

Adele é só um Justin Bieber de adultos frustrados.

Mas as adolescentes ainda tem a desculpa dos hormônios….

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10 comentários em “A Engana-trouxa

  1. Bom texto, meio ácido demais às vezes, mas bom. E compartilho da sua opinião sobre Adele. Pra mim, não passa mesmo de um produtinho pop e açucarado, talhado especificamente para o que está fazendo. Cantora mediana, nada de mais. Sobre a Sharon, grande dica! Timbre especial. Ouvirei mais!

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  2. O melhor álbum de 2011 é o “Ceremonials” da Florence and The Machine. É só olhar a apresentação da banda na noite da premiação. Mas é claro que essas premiações falidas vão premiar o que o povo que assiste quer premiar. Triste, mas o grammy tem um histórico bem grande de premiar porcaria.

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  3. Todos os textos que eu escrevo aqui são nesse formato, pq eu meio que faço num tiro só, estilo fluxo de pensamento. Eu entendo sua crítica André, mas odeio a idéia de que deixamos de lado gente como a Sharon Jones, que mostrei ali, pela Adele. Só que, comparando como que efetivamente concorre com ela, tem o Ce Lo Green, p.exemplo, que é mil vezes melhor cantor e performer que ela. E se dependesse de apenas CANTORAS ganharem Grammy, a Madonna tinha que devolver os dela… hehehehe

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  4. Como a Caroline disse, seu texto ficou pouco fluido, o que atrapalha um pouco, mas vamos ao que interessa…

    Eu estranhei quando a Adele estourou de vez. Ouvi falar dela pela primeira vez logo que ela lançou o primeiro álbum, mas não me despertou muito interesse. Até que a música dela virou tema de novela e eu percebi que ela estava tocando o tempo todo em todo lugar. E sinceramente não achei ruim, apesar de não achar nada particularmente fantástico. Claro que depois a gente presta atenção e vê o quanto 'Someone Like You' é cafona (no mau sentido), mas apesar de tudo, tenho a impressão de que atrás desse fenômeno há alguém que se importa mais com a música do que com o stardom. Mas talvez seja ingenuidade minha.

    Minha decepção com premiações já vem de algum tempo e, no geral, minha impressão é que é pura politicagem (quando não lobby puro). Concordo que a Adele seja apenas mediana, mas eu queria muito acreditar que uma CANTORA mediana levar um prêmio é um bom sinal, em contraste com as Britneys da vida (cujo objetivo principal nunca foi fazer boa música) levando prêmios. Eu sei, a própria imagem de “eu sou cantora” é calculada para vender, mas não é isso que fazem todos os artistas, inclusive aqueles que nós admiramos e consideramos realmente bons?

    Não sou fã da Adele, mas não sinto raiva dela assim. Fato, esse hype todo me gerou uma bela antipatia, mas se é ruim ver alguém sendo vendida como a anti-Katy Perry, talvez fosse pior ainda que não houvesse uma anti-Katy Perry. Se as feias gordas e negras estão longe de ser o mainstream com a Adele, imagine sem ela… Ou não?

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  5. Apesar de ter conteúdo, seu texcto fica meio ruim de ler por não ter continuidade. A casa sentençavocê põe um ponto final e começa um novo “parágrafo”.Acho que corrido dessa forma não fica legal. Enfim… não gosto de Adele, mas ela chama atenção pela voz, sim. Concordo com você quando diz que ela só é tudo isso por estar sendo vendida justamente de forma que a faça ser tudo isso… E por que acha que Kanye West é tão bom? Que qualidades deveriam fazer dele um destaque?

    Até mais

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