Porque a polícia?

Eu só não fico mais abismado de ver as manifestações contrárias à ocupação da USP porque ainda tem muita gente que defende a PM pra nos chocar.
Sou estudante Universitário. Estou há 11 anos na Universidade pública.
Participei de movimentos estudantis, ocupações, protestos.
Também fui à festas, bebi e fiz muita bobagem.
Estou no doutorado agora.
11 Anos dentro desse sistema.
E ainda assim me enoja ver gente formada em universidade pública defendendo polícia.
Gente que nunca deve ter lido uma linha de Foucault falando sobre segurança.
Mais que a mídia, o que me assusta é a postura dos estudantes contrários à suposta balbúrdia.
Gente que diz que os estudantes da USP querem garantir o direito de fumar maconha no campus.

Gente, alguém realmente acha que os estudantes ocuparam a USP pelo direito de fumar maconha?

Aliás, alguém acha que na universidade a maioria dos alunos entra e sai sem fumar maconha?
Será que esse povo nunca viu as pessoas fumando maconha em seus campus?
Eu sei onde se fuma no meu campus.
Aliás, quando entrei na universidade, vi gente fumando, cheirando, se picando.
E não eram alunos de letras, sociais, filosofia…
Muitos filhinhos de papai, de repúblicas tradicionais, membros de Atléticas Universitárias, cristãos da ABU ou da GOU, com seus carros, roupas chiques…
Fala-se como se a diferença entre um aluno da FEA e um da FFLCH fosse o hábito de fumar maconha.
Faz-me rir.
Esse povo que acha que a maconha é a culpada da deterioração da sociedade.
Que é bonito pagar de Capitão Nascimento.
Mas quando você vai pra balada, bebe e atropela uma velhinha seu pai te protege.
Marginais são os maconheiros que ocupam a reitoria da USP.
Não aqueles que depredam a cidade durante os eventos “esportivos”.
Não aqueles que urinam na porta das casa das pessoas quando estão bêbados.
Não aqueles que embebedam os bixos de 17 anos, que dão trote, que humilham.
Isso é intocável. Isso é tradição.
A tradição das Atléticas Universitárias, antros que só servem pra dar dinheiro pra futuros promoters.
(E pra promover a “pegação” indiscriminada, claro)
Tem muita gente que entra na faculdade pra fazer um curso e sai lá como promotor de eventos, viu?
E os errados são esses maconheiros. Eles é que merecem borrachada da polícia.
Aliás, alguém realmente acha que a polícia mantém a segurança?
Que aqueles marginais fardados que mal sabem falar direito tem condições de lidar com algo além de bandidos?
Eles são filhotes de uma maneira de disciplinar os soldados que prevê que para abordar um cidadão você deve ofendê-lo, humilhá-lo e, se possível, agredi-lo.
Quem já foi revistado, como eu, sabe do que eu estou falando.
A PM não dá segurança à nossa sociedade. Não vai dar à USP.
A USP precisa de um plano de reestruturação física, política e daí um plano de segurança.
A guarda universitária existe pra cuidar da universidade. A polícia é o braço da repressão que serve para reprimir bandidos.
Mas a nossa polícia sempre se achou a CIA.
Nossos policiais se acham americanos.
Tenho nojo da polícia, principalmente a americana.
Glamourizada por programas de tevê que deveriam apenas servir de diversão burra mas acabam por criar padrões e paradigmas comportamentais que os próprios policiais emulam.
Daí até o cidadão comum achar que são os “playboyzinhos de merda” que sustentam o tráfico.
Não, não são.
Quem sustenta e permite que o tráfico aja é uma parcela de nossos parlamentares que leva uma grana pra isso.
A polícia precisa sair da USP.
Ir pra rua salvar seu pai de ser morto.
Dentre demagogias e demonstrações de fascismo, eu fico com uma música velha dos Titãs, banda que nem gosto, mas que resume o que penso.
Anúncios

2 comentários em “Porque a polícia?

  1. Oi Fabio, gostei do seu texto. Agora pouco passou uma propaganda ou reportagem na Globo defendendo a restrição total ao tabaco. Minha impressão disso tudo é que se trata de um modismo midiático. Se a maconha um dia for legalizada, vai haver propagandas nas novelas, assim como havia propagandas de cigarro nas corridas de Fórmula 1 na década de 80 e 90.
    No fundo, tudo isso é hipocrisia. Há remédios, bebidas alcoólicas que provocam males piores que um baseado. Também vi muita gente que se diz conservadora cheirar cocaína e usar drogas mais pesadas. E é entre elas que eu vejo os argumentos mais reacionários possíveis contra a utilização da maconha em público. Minha posição é que cada um deve usar o que bem entender, desde que não faça mal pra outra pessoa. E não vejo mal nenhum num baseado. Mas, também não acho que vá trazer a felicidade para a humanidade. É somente uma substância como outra qualquer que pode trazer efeitos nocivos ou benéficos. Depende do uso que se faz como qualquer outra coisa, desde remédios, cigarros, bebidas e tudo. E outra coisa, não precisamos que um órgão fiscalizador tutele o que deve ou não ser utilizado. Cada um é livre para decidir o que faz da vida. E quanto ao que ocorreu na USP este ano, isso já é uma forma de repressão antiga. Em 2007 houve forte repressão em várias universidades. E é um tipo de autoritarismo que sempre tem uma desculpa na ponta da língua. Agora é o entorpecente. Amanha será outro. Nos anos 60, políticos como Adhemar de Barros e Jânio Quadros se colocavam numa postura pública de paladinos da moralidade, mas frequentavam prostibulo. Quanto a Adhemar, tinha amantes, e guardava um cofre cheio de dinheiro roubado. Mas em público apoiava a Marcha com Deus pela Família e pela Liberdade. Do mesmo modo, agora, há diversos jornalistas usuários fazendo o coro com a defesa da repressão na USP. Há também outro tipo de hipocrisia. Há jornalistas que enaltecem o documentário feito por FHC sobre as drogas, mas que são a favor da repressão na USP. Enfim, um caso curioso é que Gabeira atualmente é enaltecido, principalmente depois de uma coligação com o DEM e com o PSDB. Quando era oposição a FHC ele era ridicularizado pela mesma mídia que agora o bajula. E há setores da mídia que apesar de defenderem a legalização dos entorpecentes, o fazem interessados no lucro que isso dará.
    Com relação a policia, também não tenho simpatia por essa instituição, mas os caras que são policiais são trabalhadores, tão explorados como em qualquer outra profissão. O problema é que os resquícios de autoritarismos passados são extremamente presentes. Foi durante a última ditadura que a policia foi militarizada. O que existia anteriormente era a Força Pública. Quanto ao autoritarismo, ele já é presente nesse território desde 1500, então não é de surpreender esse tipo de reação. Enfim é isso. Abraço e parabéns pelo texto.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s