Um biquíni e três redes sociais


Uma vez, uma aluna minha adolescente e muito bonita reclamou que os colegas dela viam as fotos dela de biquíni no orkut e ficavam a assediando.

Eu coloquei algumas questões à ela.
Primeiro: Por que essas fotos estavam lá?
Segundo: Por que estavam visíveis para todos?
Terceiro: Por que você adicionou esses caras no seu orkut se eles são tão babacas?
Ela não soube responder nenhuma das questões.
Hoje, o orkut está agonizando. O facebook é a moda.

800.000.000 de usuários. Um fenômeno.

E, com tanta coisa nas mãos, Zuckenber viu que era bom… e quis mais.
Agora muitas pessoas estão descobrindo que suas vidas estão mais expostas no facebook do que pensavam.
O caro Zuck expandiu a interatividade e a integração entre os seus parceiros:

http://www.gizmodo.com.br/conteudo/nao-curti-porque-a-integracao-do-facebook-e-na-verdade-antissocial/

Mas não é só isso. Agora, quando você dá logout no seu facebook, alguns dados seus permanecem sendo enviados a ele, sabia?

http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2011/09/26/facebook-registra-dados-de-navegacao-do-usuario-mesmo-apos-logout-925450718.asp

E, como o orkut foi tido como inseguro, fonte de vírus e coisas do tipo, a explosão do facebook já começou a trazer esse alarme para os usuários.

Mas, antes de fugir para o Google + ou apagar a sua conta do Twitter, pense comigo…

Qual realmente é o limite da privacidade de alguém que aceita fazer parte de uma rede social?

Realmente, as pessoas que entram nessas redes acham que estão seguras?

Será que, em algum momento, alguém que posta suas fotos na rede realmente acha que ninguém, ninguém mesmo é capaz de vê-las além de seus amigos selecionados?

Eu que me assustava quando as pessoas começaram a sair do orkut alegando, dentre os motivos mais esdrúxulos, a falta de segurança e privacidade da rede.
Lembra quando isso começou?
Quando a internet se tornou popular, as pessoas de classes C, D e E começaram a usar lan houses e surgiram os perfis frutos da inclusão digital.
Mas os membros das classes A e B, que queriam as redes sociais – e o mundo – só pra eles não podiam conviver com os desvios gramaticais, com as pessoas supostamente mal educadas e com os perfis cheios de musiquinhas e coisas coloridas.
Fugiram, assustados, para o ‘orkut de playboy’, o Facebook.
Coisa de primeiro mundo, organizado.
Só em inglês, exclusivo.
Bem, agora que o facebook virou o novo orkut, o que as pessoas vão fazer?
Há muito de alarmismo nessa história.

Quem não sabe conviver com a exposição de redes sociais não deve ir atrás disso.

Você não precisa de uma rede social pra viver a sua vida.

Mas, quem se sente invadido possui os recursos que as próprias redes dispõe pra proteger a suposta privacidade dos perfis.

Mas, mais sério que isso: porque alguém quer privacidade numa rede social?
Porque as pessoas só querem que alguns poucos amigos leiam o que elas escrevem, vejam suas fotos, saibam dos seus gostos?
Será que as redes estão muito pouco seguras, ou somos nós que não aprendemos a lidar com essa nova sociedade da super exposição?

Entendo que alguém restrinja os subgrupos de amizade de sua página.

Deixe-a aberta apenas para quem a interessa, e defina níveis de abertura.

Algumas fotos visíveis para apenas alguns amigos, postagens apenas para alguns.
Nisso o Facebook falha miseravelmente.

Nem adianta, não dá mais pra esconder o que você faz. Se quer fazer isso, saia do Facebook.

Ou o limite a um mínimo grupo que te interessa.
O Facebook não é para pessoas que querem privacidade. O orkut não era. O Google+ um dia será assim também.
Redes sociais são e continuam sendo veículos para produtos.

Só que a diferença é que você é um desses produtos.

Você não paga por isso, mas alguém lucra com a venda da sua exposição.
Você já parou pra pensar nisso sob essa ótica?
Os produtos que você compra na verdade estão atrás de sua vida pra te vender exatamente o que você quer.
E o Zuck apresenta uma ferramenta que pode dar a eles acesso a todos os seres humanos.
Privacidade na era da informação é uma utopia.

O capitalismo compra sua privacidade sem que você nem saiba e a vende para quem pagar mais.

O Zuckemberg criou o mais lucrativo sistema de ganhar dinheiro dos últimos anos, mas em suma o que ele faz já existia: ele comercializa vidas.
A sua é só mais uma delas… e nem deve valer tanto, nem precisa ficar desesperado com isso.
Se você quer mesmo usufruir das redes sociais, saiba se expor.
Seja cabeça aberta, ou mesmo não exponha nada.
Use apenas para papear nos chats com os amigos.
A nossa geração abre o facebook antes de abrir o e-mail. Isso é um fato.
E agora, não sabe conviver com ele.
Ninguém precisa de redes sociais.
É uma necessidade criada, incutida em nós.
Eu me assumo viciado. Mas me divirto horrores.
Tenho plena consciência do que tá lá, exposto, sobre a minha vida.
Pelo menos do que eu permiti estar.
Isso não é uma crítica… é uma constatação.
E, ademais, uma reflexão séria sobre o real limite da privacidade dos homens do século XXI.
Entendo perfeitamente sua necessidade de privacidade.

Não acho certo que as pessoas sofram por estarem expostas ao mundo de pessoas nefastas que temos hoje em dia.

Nesse caso, dentre todas, o Google+ por enquanto ainda é a melhor opção.

Mas não venha me dizer que eu não avisei.
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Um comentário em “Um biquíni e três redes sociais

  1. “Sem baboseiras aqui” (?)
    Qual a razão da censura?

    Mas não é por isso que estou comentando.

    Seu post me fez lembrar do grande (imbecil) Nenê Constantino, que declarou em entrevista algum tempo atrás ter entrado no negócio dos transportes de pessoas porque não há gasto com carregadores. O “produto” se acomodo sozinho nos seus ônibus e aviões da Gol…

    Quem se ilude achando que não é mercadoria?

    A outra questão que você levantou também é muito pertinente. Privacidade em rede social?!?

    Quem tá na chuva é pra se molhar. Devia saber disso.

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