Ave Satani!

Coicidências são coisas curiosas… Em pleno dia de Natal, me peguei lendo vários artigos sobre satanismo… hahahahaha, sim, foi pura coincidência. Queria investigar um pouco acerca da figura sombria de Anton LaVey, o autor da Bíblia Satânica (o figurinha aí da foto).
O tal, segundo um porco verbete da Wikipédia em português, nasceu Howard Stanton Levey (1930-1997), fundou a Igreja de Satã no ano de 1966 e também trabalhou como músico, fotógrafo forense e domador de feras.

Assim como outro famoso ocultista, Aleister Crowley (aquele dessa música do Ozzy), LaVey era mago. E era isso que me interssava essa pesquisa, pois estou a investigar esse tema há algum tempo, inicialmente por curiosidade, agora por profissão (magia é um dos assuntos do meu doutorado com a figura mítica de Orfeu, mas nada tem que ver com magia satânica, heheheh).

Mas o que é para nós o demônio, cramunhão, exu-caveira, capiroto? Pra mim, pelo menos, é uma das figuras mais ricas e fantásticas da cultura humana. Primeiro que, seguindo a Bíblia, Jesus só é quem é porque o Diabo o treinou, digo, o tentou no deserto – cena que pra mim até hoje só foi bem traduzida no fime A ùltima Tentação de Cristo, de Martin Scorcese.

Bem, o que quero dizer é que, de qualquer forma, essa figura é tão importante para a nossa sociedade quanto a de Cristo. Não apenas como antagonista, o papel mais óbvio, mas como a figura de um contestador, do rebelde, como vemos em poesias e referências acerca dele em diversas mídias.

Mas, mais interessante que isso é, em pleno dia de Natal, fazer uma reavaliação do legado não apenas de Cristo, mas de Satanás. Pensar como o bem e o mal em nossa sociedade são muito mais que figurativizações antagônicas de comportamentos. O que vemos, sentimos e fazemos tem mais de Deus ou do Diabo? De Jesus ou de Lúcifer?

Estive na luta da morte comigo mesmo: Deus e Satan lutaram por minha alma durante três longas horas. Deus venceu – agora me resta apenas uma dúvida – qual deles era Deus?

Aleister Crowley


Por vezes deixamos nossas vidas serem guiadas pelos mistérios da fé, independente de qualquer reflexão acerca de como abraçamos essa fé. Será que somos o que somos por força de algo maior que nós, por escolha própria ou porque somos frutos de uma sociedade que nos fez assim? Afinal de contas, em nem todos os lugares é possível ouvir alguém justificar erros humanos com o adágio “é falta de deus no coração”. Quantas vezes ouvi pessoas atribuírem ou à Satanás ou à ausência de Cristo ou Deus o mal que as pessoas cometem umas contra as outras? Será mesmo tudo manifestação da maldade, ou a maldade é uma manifestação do humano?



Todas as religiões de natureza espiritual são invenções do homem. Ele criou um sistema inteiro de deuses com nada mais do que seu cérebro carnal. Só porque ele tem um ego, e não pode aceitá-lo, ele tem de exteriorizá-lo em algum grande artifício espiritual que ele chama de “Deus”.

Anton Lavey

Muito do que o homem quer, no Natal, a paz e o amor, são coisas atribuídas à esperança na chegada do salvador. Mas, seu sacrifício nos legou várias outras consequências, que vão além inclusive da guerra santa. Satanás, por muitas vezes o símbolo da liberdade, foi imediatamente identificado com o pagão, a ponto de eu ainda ser capaz de ouvir muita gente que chama as crianças não-batizadas de “pagãozinhos”. É horrível pensar como as culturas de diversos povos foram reduzidas a símbolos de maldade. E isso não é só medieval não! Quem não se lembra dos vários casos de jogos, RPGs, filmes, músicas e outras mídias que continham mensagens subliminares de satanismo?

Se o diabo não existe e, portanto, o homem o criou, ele criou-o à sua imagem e semelhança.

Fiódor Dostoiévsky

Enfim, assim como o post seguinte, este post apenas sugere uma reflexão que, para mim, se faz necessária em datas como a de hoje. Mais do que confraternizar e trocar presentes, reflita sobre o bem, o mal, e tudo que essas coisas (e a religião) representam na sua vida.

Abraços!

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