RESENHA: Tales of Ithiria – Haggard

PRÉ-FACIO

Eu parei um tempo antes de prosseguir com a lista de melhores de 2008, não apenas por falta de tempo, mas também porque ouvi derradeiros álbuns após a primeira postagem, e achei mais justo continuar o post já em 2009. Aliás, feliz ano novo a todos.
Bem, prosseguindo. Eu já resumi bem o que irei falar a seguir. Falarei de uma obra nota 11, daquelas coisas que por vezes aparecem e do nada assaltam nossa alma como ladrões roubando os melhores quadros do nosso Louvre interno. Imagino que, aqui, inauguro uma nova possibilidade de post nesse ano que se inicia: o NOTA 11. Mas como esse post também é uma resenha, guardo o nota 11 pra quando for resenhar outras coisas.
Bem…
Como começar essa resenha? hummm…
Talvez assim:

It had already become day as he opened the big wooden door and stepped out of the shadows.
The sun had shown behind the eastern forest, bright and warm in a cloudless sky.
As his eyes closed, he slowly raised his head.
Gently, the morning wind caressed his face and rustled through his long hair
The chatter of the birds had become one with the whispers of the black elders, melding with the rhythmic babbling of the little brook, which wound its way to the distance behind the humble grange.
But it has not always been like that.
One thousand seven hundred years ago, during the celebration of the two moons, the enemy forayed over powered the villagers under the cloak of darkness.
Brave men were cut down where they stood in the cold crisp autumn night.
The ones who still had life in their veins escaped in despair, but regathered quickly and formed a resistance.
Many among them, women and children, only armed with axes, torches, and pitchforks.
And it seemed as if all hope was forsaken…

TALES OF ITHIRIA
Desde essa magistral introdução, The Origin, já nota-se que temos em mãos um épico, de grande magnitude. Mas um épico metálico é coisa comum, e há bandas que esmeram-se em tentar produzir no ouvinte a sensação de é possível ver o sangue do lorde das trevas que corre pela espada de aço do glorioso guerreiro. Mas esse não é o objetivo do Haggard. Eles vão além, o que se nota logo ao procurar um pouquinho sobre a banda na net (mais especificamente na Wikipedia).
O Haggard tem estrada… eles surgiram em 1991 e tocando originalmente death metal, mas logo partiram para algo maior, e o grupo possui como principal característica o número de membros tocando diversos instrumentos que vão da base metálica guitarra-baixo-bateria até violinos, flautas, violoncelos e outros instrumentos clássicos. Além disso, todos seus discos contam uma história, com narrações e diversos vocalistas. De uma ousadia ímpar, a base dos vocais é uma mistura de canto lírico com gutural, bem comum até dentro do metal, mas nunca empregada – na minha opinião, pelo menos – dessa forma, com essa grandeza. Desde a capa, a produção é gigantesca, deixando qualquer Rhapsody (of Fire) no chinelo.

Quando se inicia o Capítulo I – Thales of Ithiria, temos uma introdução lírica em, latim (Quando coeli movendi sunt et terra/Dum veneris judicare saeculum per ignem – traduz aí Arthur… hehehe). Brega, poderiam dizer alguns, mas apropriadíssima para apresentar a longa canção, e seus vários vocais diferentes. A seguir, uma suave melodia de cordas, lindíssima, que cria todo um clima peculiar ao som do Haggard, que lembra muito música renascentista.
E o vocal pesadão, gutural, entra junto das guitarras, para nos lembrar que se trata de um disco de metal. E que metal. É cadenciado, mas com bastante peso, sempre acompanhado do oboé que dá uma característica única (devo repetir essa expressão diversas vezes) à canção. E o que dizer mais. Piano, vocais líricos femininos e masculinos, vocais limpos, flauta, harpa… Tudo que você precisa saber sobre o Haggard já aparece aqui, nessa música, pronto. Se o disco tivesse apenas essa música, já valeria nota 10.
Mas a criatividade desses músicos não tem limite.
Após a necessária vinheta From deep within, aparece o Capítulo II – Upon fallen Autumn leaves. E o que dizer da introdução, com uma melodia tipicamente medieval, cordas e vocais líricos num crescendo maravilhoso? Crescendo que leva ao vocal gutural cavernoso e a seqüência da letra em alemão. Melodia pesada que intercala com a levada mais light, com vocal lírico feminino. Nada que outras bandas nunca tenham feito, mas nenhuma com a qualidade do som do Haggard.
Logo a seguir, mais música clássica. Mas não espere aquela profusão de coros e violinos das bandas de Metal Melódico tradicionais. A coisa em In des Königs Hallen (Allegretto Siciliano) é bem trabalhada e abusa da variedade de instrumentos, principalmente dos metais. Um tema belíssimo.
Fica até chato ficar elogiando. O legal de Chapter III – La Terra Santa é a levada que lentamente te insere no climão da música. Com uma melodia cantada de maneira limpa a narrativa prossegue. E o que dizer das belas vozes femininas? Nada, já disse tudo, elogiá-las pelas performance no refrão dessa música é chover no molhado. A criatividade desses músicos não tem limites.
Em seguida, a delicada vinheta Vor dem Sturme, com a excelente narrativa introduzindo Chapter IV – The Sleeping Child. Pauleira, pra fãs de metal. O vocal grunhido é muito adequado e o acompanhamento (sutil) de violino dá todo um climão à música. E o refrão? Ah, e apesar do peso da música, ela tem um solo de harpa com acompanhamento de violinos e flauta ,e depois um solo de flauta. Seria o suficiente pra o leitor desse texto correr atrás desse disco?
Se não for, então ouça Hijo de la Luna:

É a minha favorita do disco. Não tenho condiçõesa de falar algo acerca dessa música sem ser repetitivo nos elogios. Estamos ou não estamos diante de uma obra prima?
A seguir, mais uma vinheta, a forte On this endless fields,

Their horses heavy
In clad and chain armor
March into battle
Man against man
Sword against sword
Hammer and axe against shield
Let the banners fly high
Mortal screams pierce the cold air
As steel meets flesh and the strong rule the weak
(…)

e o disco vai chegando ao final… e que final, digno de um épico. E se vc não estava ainda se sentindo dentro de um filme épico, prepare-se para Chapter V – The Hidden Sign. Seja nos levando à Irlanda medieval, ou à longínqua Gália, em torno de uma fogueira a dançar e a cantar, o Haggard não perde a mão. Cabe a nós, ouvintes, deleitar-se com mais um excelente trabalho de conciliação entre o peso do metal e a beleza do erudito. Nesse caso, introduzindo uma melancólica melodia (com um belíssimo dueto de violino e piano, de levar às lágrimas).
E assim, encerra-se a resenha do que pra mim foi o melhor disco que ouvi em 2008. Metal de gente grande, sem afetações. Sem tirar nem por, esse é um álbum nota 11!

And then, the great rains set in
And but for a moment it seemed
As if all the blood had been cleansed by the Gods

Tales of Ithiria, Haggard: 2008
Nota: 11

PÓS-FÁCIO:
O disco: http://rapidshare.com/files/141140833/H-TOI.by.canalladfc.rar.html ou http://www.megaupload.com/pt/?d=HVWNVSZX. Links da Comu Discografias no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=6244330&tid=5247379772850248169&kw=haggard

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2 comentários em “RESENHA: Tales of Ithiria – Haggard

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