RESENHA: Hero – Van Canto

PRÉ-FACIO

Eu sempre gostei de metal. Por mais que muitas das bandas que eu mais gostava ficassem na minha memória como coisa de adolescente, e por mais que h aja um puta preconceito contra quem gosta desse tipo de som, eu sempre adorei metal. Desde o que há de mais farofa até o metal pesado. A minha geração- a que nasceu no começo dos anos 80e cresceu na virada dos anos 80 pros 90 – foi a geração do grunge. Metal era coisa de tio, de adolescente… era coisa ultrapassada. O grunge fez pelo metal aquilo que o punk fez pelo rock progressivo, enterrando-o. Mas, apesar de ser notável a influência do grunge na nossa cultura e na música desde então (principalmente nos E.U.A.), o metal, diferente do prog, nunca sucumbiu.
No final das contas, ele mutou-se, recombinou-se, e como um vírus tomou para si diversos outros estilos, gerando seus milhares de filhotes. Os anos 80 foram um prodígio para o surgimento do heavy metal, black, death, trash e doom, mas nos 90 que a coisa foi explodind. Mas não uma explosão midática como o sr. Cobain e companhia, e sim uma explosão restrita ao seu núcleo de cultuadores, os “bangers”. E assim, chegamos aos anos 2000 com uma infinidade de estilos que vão desde true folk black metal ao film heavy power metal – do Rhapsody (of Fire), por exemplo.
Mas então, em 2007, eu ouvi isso:

E pirei. Eu canto em coral na universidade já há uns 7 anos, mas a experiência proporcionada pelo Van Canto é única. Podem dizer que não é lá essas coisas, podem dizer que é melhor com os instrumentos. Podem dizer que continua sendo power metal farofa… Mas que é algo totalmente diferente, ah isso é…

HERO!!!

Uma coisa interessante nesse novo trampo do Van Canto que o diferencia bastante do anterior é que há mais covers do que antes. Não apenas porque o cover de Battery do Metallica no disco anterior ficou ótimo (compare: http://www.youtube.com/watch?v=m99ybtk4QNs e http://www.youtube.com/watch?v=w9LaB9dq4Rw), mas porque essa é a curisidade maior sobre o som do Van Canto: como vai ficar tal música da banda que eu gosto só com vozes e bateria. PERAÊ! Eu não falei de como é o som do Van Canto?

IN-FACIO

São cinco vozes (quatro masculinas e uma feminina) e uma bateria. Os caras simulam os sons dos instrumentos do metal, usando onomatopéias como rakakataka para as guitarras e o dum dum pro baixo e usam amplificadores dos instrumentos e distorções nas vozes. Tem também os momentos coral e todos eles cantam pelo menos uma linha solo. Bem, é isso..

continuando…

Esse disco é muito bom, mas espero que eles comecem logo a compor suas músicas, pois um álbum só de inéditas ainda faz falta (se contar esse disco e o outro dá pouco mais de um cd de inéditas…). Ainda mais quando ouvimos a primeira música, que também é a (melhor) escolhida pra single, Speed of Light. Tem aquela pegada power e um refrão grudento, que nem a The mission, mas parece ainda melhor. As vozes tão mais equalizadas e limpas, a bateria tá bem colocada. Devido ao sucesso, agora a banda não é mais apenas trabalho paralelo dos caras (aliás, alguém conhece as bandas deles?). Além do clipe de Speed of Light ser ótimo – e bem melhor que o de The Mission, diga-se de passagem -, a música se encaixa muito na proposta “power metal a capella” do disco, se é que dá pra rotular o trabalho deles de maneira tão medíocre (ainda farei um post sobre rótulos), já que quem ouve a primeira vez não saca de primeira que o solo de guitarra se trata de trabalho VOCAl. Podem até dizer que o estilo “power metal” da banda é defasado e bobo – dragões, reis, montanhas, aço e heróis -, que se substituirmos os vocais pelos instrumentos característicos a banda se torna apenas mais uma dentre as milhares do estilo. Mas é justamente essa a proposta do Van Canto: ser um diferencial entre os genéricos.
Daí começa a alternância entre covers e originais. E eles pegam pesado: entram com os dois pés no peito com a sua proposta para Kings of Metal do grandioso salve-salve Manowar. Apesar disso, o Manowar é uma banda que possui um estilo que pode ficar bem descaracterizado sem o seu peso (e o couro). Mas aí nota-se que a “cozinha” funciona muito bem, principalmente o baixo, que sustenta (até mais que a bateria) as músicas.
A seguir temos Pathfinder, que destaca logo de cara o excelente Ike e seu trabalho de baixo. E há uma percussão curiosamente “abrasileirada” nessa música – seria influência da passagem da banda pelo país e pelo programa Mulheres? que dá uma diferenciada no climão “heróico” da bolachinha.
Wishmaster é aquela coisa: Nightwish na veia. A Inga canta bem pacaráleo, e é bem o estilo dela, mas eu nunca achei essa uma graaaande música do Nightwish… ela é bem farofa. Mas o Van Canto É farofa. Então até dá pra passar. Pelo menos a versão deles dá pra entender a letra melhor que a original.
Bard’s Song… putz, que que eu posso falar de uma das minhas músicas favoritas no mundo do universo inteiro do cosmos? Blind Guardian é uma das razões pela qual eu afirmo categoricamente que metal não é coisa de adolescente. Eles são uns puta músicos, com discos magistrais. E o Van Canto honra essa grande banda com uma versão primorosa, linda mesmo, com certeza a melhor música do disco. Mas ela já era a melhor música do Blind também. É ouvir pra saber do que eu falo.
Quest for roar é a volta ao metal, tem cara de hino e talz… mas não me empolga tanto quando eu ouço, sendo a “música pulável” do álbum.
Stormbringer é talvez o cover mais inusitado do álbum, considerando que não tem muito de “hero metal” nessa música. Ela dá uma aliviada no ritmo do disco, mas apresenta um excelente trabalho vocal dos membros da banda, pois sem dúvida é uma música muito exigente. É legal, que ao mostrarem versatilidade, eles apresentam-se como muito mais que uma banda curiosa e diferente, mas como um projeto capaz de ir além dos covers. E essa acaba sendo mesmo a minha crítica central ao álbum.
Ah, anteriormente eu já falei do Blind Guardian, né? Pois bem, Take to the sky tem o Hansi Kürsch, vocalista do Blind. Sem comentários, o cara é foda e ponto. Qualquer coisa que ele participa vira épico, e num disco deles ele se torna uma tremenda aquisição.
(Aliás, Senhor dos Anéis só não é um filme perfeito por que a trilha não é do Blind)
Fear of the dark é uma surpresa um tanto insossa (sendo um cover do Iron, prefiria a versão de The Trooper deles que se acha no Youtube). É legal ouvir como eles fizeram o negócio funcionar, mas não é uma versão assaz, como a música exigiria…
E a música homônima (Hero, seu energúmeno) é boa, na medida do álbum, não é um grande destaque mas é boa pra fechar o “épico” e demonstrar mais uma vez a qualidade desses cantores.
Ao fim desse review, eu percebo que esse disco não me parece melhor que Storm to come, talvez por causa do impacto da primeira audição de um trabalho de metal nesse formato já se foi. Mas se o Van Canto continuar assim bem guiado pelo trovejante martelo de Thor, os deuses do metal garantirão bons anos para esses alemães.
Hail!

Hero, Van Canto: 2008
Nota: 7,5

PÓS-FACIO:

O disco: http://www.4shared.com/file/68464335/66c8fc61/Van_Canto_-_Hero_-_2008.html

O site do Van Canto, com fotos da “tchutchuca” Inga… hehehhee: http://www.vancanto.de/
O vídeo de Wishmaster: http://de.youtube.com/watch?v=XCGQiGEYl4Y

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4 comentários em “RESENHA: Hero – Van Canto

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