Para o Dia dos Namorados

“Começando pelo amor. O amor é essencialmente união, e naturalmente a busca; para ali pesa, para ali caminha, e só ali pára. Tudo são palavras de Platão, e de Santo Agostinho. Pois se a natureza do amor é unir, como pode ser efeito do amor o apartar? Assim é, quando o amor não é extremado e excessivo. As causas excessivamente intensas produzem efeitos contrários. A dor, faz gritar; mas se é excessiva faz emudecer; a luz faz ver; mas se é excessiva cega; a alegria alenta e vivifica; mas se é excessiva mata. Assim o amor, naturalmente une; mas se é excessivo divide… O amor, diz Salomão, é como a morte. Como a morte, rei sábio? Como a vida dissera eu. O amor é união de almas; a morte é separação da alma; pois se o efeito do amor é unir, e o efeito da morte é separar, como pode ser o amor semelhante à morte? O mesmo Salomão se explicou. Não fala Salomão de qualquer amor, senão do amor forte… E o amor forte, o amor intenso, o amor excessivo produz apartamentos. Sabe-se o amor atar, e sabe-se desatar como Sansão! Afetuoso, deixa-se atar; forte, rompe as ataduras. O amor sempre é amoroso; mas umas vezes é amoroso e unitivo, outras vezes, amoroso e forte. Enquanto amoroso e unitivo, ajunta os extremos mais distantes e mais unidos. Quais são os extremos mais extremos, mais distantes e mais unidos que há no mundo? O nosso corpo e a nossa alma. São os extremos mais distantes; porque um é carne, outro espírito; são os extremos mais unidos porque nunca jamais se apartam. Juntos nascem, juntos crescem, juntos vivem, juntos caminham, juntos param, juntos trabalham, juntos descansam; de noite e de dia; dormindo e velando; em todo o tempo, em toda a idade; em toda a fortuna; sempre amigos, sempre companheiros, sempre abraçados, sempre unidos. E esta união tão natural, esta união tão estreita, quem a divide? A morte. Tal é o amor… O amor, enquanto unitivo, é como a vida; enquanto forte é como a morte. Enquanto unitivo, por mais distantes que sejam os extremos ajunta-os; enquanto forte, por mais unidos que estejam, aparta-os.”

Pe Antônio Vieira
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